Carmen Sandiego | Crítica da 1ª Temporada

Carmen Sandiego chega nessa onda de novas versões de séries animadas clássicas dos anos 80 e 90 que a Netflix tem proposto. Depois de lançar She-Ra E As Princesas do Poder no ano passado, o serviço de streaming, agora, faz uma releitura das aventuras da superladra internacional conhecida como: Carmen Sandiego.

Carmen Sandiego (2019)
Carmen Sandiego – Crítica – 1a temporada | Foto: Netflix

A animação, foi ao ar lá na década de 90, era baseada no jogo de mesmo nome lançado pela Brøderbund Software, e marcada por sua misteriosa protagonista, que usava um chapéu icônico, um casaco vermelho e aparecia sempre com um plano mirabolante para roubar artefatos históricos de museus ao redor do mundo. Assim, o desenho tinha esse tom mais investigativo, mas também, tinha uma veia super educativa, afinal, a cada local no mundo, onde Carmen Sandiego aparecia, a produção nos mostrava curiosidades e dados informativos sobre o local que a ladra visitava.

A versão da Netflix, lançada agora em 2019, mantém todas essas características e acerta ao trazer novamente o clima marcante do antigo seriado, onde os roteiristas, aqui, vão além, e incluem um pouco do passado , contado como uma história de origem de super-herói, para Carmen, ou, chamada na nova versão de Ovelha Negra.

Os primeiros episódios de Carmen Sandiego, pecam por introduzir uma boa e grande parte dos personagens da série, logo de uma vez, tudo isso em menos de 40 minutos, coisa que deixa a trama um pouco corrida demais, afinal, a série não nos dá tempo de processar cada um deles e entender como eles se encaixam nesse novo mundo apresentado.

Assim, logo de cara, conhecemos a versão jovem da protagonista, os vilões, os mocinhos, os mocinhos disfarçados de vilões e vice-versa. Além disso, Carmen Sandiego nos apresenta, também, alguns dos arcos que são desenrolados ao longo da primeira temporada.

Mas, após o piloto Becoming Carmen Sandiego: Part I e II, a série veste seu melhor casaco vermelho, engrena e faz um primeiro ano divertido, com personagens carismáticos, e mescla uma trama de espionagem e ação, com roubos mirabolantes e artefatos tecnológicos de dar inveja para James Bond de 007 e Ethan Hunt da franquia Missão Impossível . Assim, Carmen Sandiego faz uma leva de episódios (o seriado já foi renovado para um segundo ano!) que passam uma mensagem sobre amizade, respeito e tolerância ao próximo.

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Carmen Sandiego – Crítica – 1a temporada | Foto: Netflix

Aqui, nessa versão, Carmen Sandiego (voz no original de Gina Rodriguez) é uma órfã que foi criada numa ilha remota, onde a organização V.I.L.E. (cheia de trocadilhos!) treina seus colaboradores desde jovens na arte do roubo. Assim, a corporação mega evil, tem professores de toda a parte do mundo, matérias das mais diversas e sua diretoria tem planos sinistros em mente para cada turma que se forma por lá.

Depois de partir para uma carreira solo, e com a ajuda de um jovem hacker, Player (voz original de Finn Wolfhard) e mais dois colaboradores, Carmen pretende ofuscar os planos da organização que a criou e está sempre um chapéu de distância de seus ex-colegas ladrões internacionais profissionais.

Então, ao longo dos episódios, são 9 no total, partimos junto com a personagem para diversos locais ao redor do mundo, como a cidade de Amsterdã (no ótimo 1×05 – The Duke of Vermeer Caper), Equador (1×04 – The Fishy Doubloon Caper), Austrália (no divertido 1×06- The Opera in the Outback Caper com uma interessante perseguição no meio da ópera Carmen!) e Mumbai (1×07 -The Chasing Paper Caper), onde, ao decorrer temporada, Carmen Sandiego, assim como na série original, nos entrega curiosidades e fatos divertidos sobre os países visitados.

Os roteiristas aproveitam, também, para nos apresentar para as dinâmicas entre os personagens, aprofundar a mitologia criada para essa série nova e brinca com as relações entre mocinhos e vilões. Afinal, aqui, Carmen Sandiego precisa salvar obras de arte com valores incomparáveis contra as garras da V.I.L.E., desviar da polícia internacional, a Interpol e seus dois agentes (o francês rouba a cena!) que estão na sua cola e ainda descobrir os significados das pistas que aparecem sobre seu passado.

Como uma ótima supresa, Carmen Sandiego aposta numa (anti) heroína globalizada para fazer um seriado bem-humorado, leve e cheio de boas tiradas e que ainda acerta, em colocar novamente, a icônica e misteriosa Carmen Sandiego de volta no mapa. Afinal, onde no mundo está Carmen Sandiego?

Miguel Morales

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