Calmaria | Crítica

De calmo, tranquilo e sereno, Calmaria (Serenity, 2018) não tem é nada. A produção é um mix de sentimentos e emoções que variam ao longo do filme e é graças aos seus dois protagonistas, Anne Hathaway e Matthew McConaughey, que o filme consegue se salvar de ser um completo desastre.

Em Calmaria, vemos a dupla fazer o seu melhor, com um roteiro cru, mal trabalhado e com informações que são jogadas em tela de uma forma verborrágica e que no final, não fazem sentido nenhum.

Calmaria – Crítica | Foto: Diamond Filmes

No filme de Steven Knight, que dirige e escreve o roteiro, temos uma trama que até desperta uma certa curiosidade em um primeiro momento, onde Calmaria se deve muito a equipe de marketing que conseguiu dar uma bela editada no seu trailer para isso acontecer. Aqui, temos McConaughey como um pescador que vive numa ilha remota, longe de todos. De uma forma não muito sutil apresentada pelo roteiro, vemos que Baker Dill tem uma estranha obsessão por um peixe que ele não consegue capturar, mas por outro lado vemos que em Calmaria, parece também que o personagem e o restante da cidade, vivem suas vidas pacatas no vilarejo sem muitos outros conflitos.

Como falamos, num primeiro momento, a trama de Calmaria, parece seguir um certo padrão e seus personagens vivem num mundo muito perfeito, como em um sonho, onde todas as peças parecem se encaixar, mas tudo soa de uma forma falsa sabe? É como ver Eleanor andar no Bom Lugar falso, achando que está no Bom Lugar de verdade, lá na série The Good Place (Netflix). Tudo em Calmaria, é perfeitamente estranho.

E para os olhos mais atentos, esse é o grande fator para se observar em Calmaria, o que nos leva para o grande X da questão, para a luz no farol da cidade litorânea que a trama se passa ou para o vendedor insistente e misterioso interpretado pelo ator Jeremy Strong.

Calmaria – Crítica | Foto: Diamond Filmes

E com a entrada de Karen (Hathaway) na trama, Calmaria parece dobrar seu tom já um pouco estranho, onde o filme ganha uma camada mais excêntrica, em que a atriz surge como se fosse uma caricatura de uma mulher fatal, cheia de caras e bocas e uma aura de mistério. Claro, Hathaway segura as pontas e faz uma versão melhorada de sua Dapne Kluger de 8 Mulheres e Um Segredo (2018) muito bem.

Mas, ao final de sua primeira hora, vemos que o sentimento de “o que acontece aqui?” começa a ficar a gritante e quase sufocante. Enfim, então, somos apresentados ao arco principal, em que Dill, recebe uma proposta milionária para matar o marido abusivo de Karen, Frank (Jason Clarke, muito bem como um ricaço que acha o dono do mundo) durante uma viagem para o alto mar.

Calmaria, então, parece ficar um pouco mais sério, deixa seu lado um pouco mais galhofa de lado e começa a jogar com questões de princípios e moralidade, e até mesmo esquece os personagens de Djimon Hounsou e Diane Lane. Assim, a produção começa uma densa narrativa que nos leva para um explosivo final, onde ficamos com a impressão de estarmos presos dentro de um episódio de Black Mirror.

Em Calmaria, a reviravolta apresentada, até justifica toda a estranheza do filme, mas, no final, não sabemos se chega a compensar tudo o que foi visto até então. Claro, o bacana é cada um descobrir o que acontece na trama por si próprio, mas já avisamos em Calmaria, mesmo após os créditos finais subirem, as perguntas ficam sem resposta e não paramos de pensar nos furos e mais furos na história.

No final das contas, Calmaria é como ver um mar calmo, se transformar numa gigantesca tempestade de verão que leva tudo para baixo do oceano. Alerta de perigo.

Nota do Crítico:

Calmaria chega em 28 de fevereiro nos cinemas.

Miguel Morales

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