Cadáver | Crítica

Cadáver (The Possession of Hannah Grace, 2018) mesmo com um título estranho, pode acabar por surpreender os fãs de filmes de terror. Não por ser uma produção ruim, mas, por fazer, dentro do possível, um longa que entrega um bom suspense, com bons sustos e que se destaca por ter uma trama de pano de fundo que flerta com paranóias e uma boa dose de dramaticidade.

Mas não se engane, se o clima sombrio do filme impressiona, as atuações de Cadáver, acama por ser apenas razoáveis e não chamam muito a atenção. Na produção, os rostos conhecidos para quem acompanha as séries de TV americanas, liderados pela atriz Shay Mitchell, da série teen Pretty Little Liars, podem chamar o público para ir assistir o filme.

No elenco, ainda temos o ator Grey Damon da série Station 19 e a atriz Stana Katic vista na série Castle. E para uma produção de terror lançada sem muita pompa, o trio até que segura as pontas, onde o roteiro do filme consegue trabalhar bem uma mitologia que envolve demônios, possessões e assombrações.

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Cadáver | Foto: Sony Pictures

Em Cadáver, temos um tom mais escuro, com uma fotografia voltada para tons esverdeados e que deixam transparecer no filme um sentimento que alguma coisa podre tá no ar. A produção também é marcada, por sua ambientação, também, bem escura de suas cenas, deixam o filme transbordar um sentimento inquietante, onde parece que a qualquer momento alguma coisa (ou alguém!) de ruim, irá acontecer. Mas claro, que isso tudo se dá mais pelo fato, de que mais da metade do filme, a história se passa dentro do necrotério de um hospital.

Mitchell faz uma personagem cheia de nuances e que aparenta ter mais segredos do vemos no começo do filme, e Megan que esconde mais da sua história do que é mostrado logo de cara. Em Cadáver, vemos a policial (Mitchell), começar um novo trabalho, no turno da noite de um hospital por indicação de sua amiga Lisa (Katic), depois que um evento traumático, a fez tirar licença da polícia, fato que levou também ao término do seu relacionamento com o colega policial Andrew (Damon). E mesmo sendo uma tarefa relativamente fácil, receber o corpo, tirar fotos e catalogar as impressões digitais no sistema, a chegada de um cadáver com o nome Hannah Grace (Kirby Johnson, cheia de maquiagem) irá movimentar o turno da jovem.

 The Possession of Hannah Grace movie review (2018)
Cadáver | Foto: Sony Pictures

Assim, Cadáver, brinca com um jogo de movimentos e sombras, por conta de sensores de luzes do necrotério, e do silêncio do turno da noite para criar um clima de tensão bem forte. Os efeitos práticos, com corpos jogados na parede, luzes piscando e vultos passando sobre tela contribuem ainda mais para construir esse tipo de atmosfera para a produção.

O filme, quando passa a fase quase didática de apresentação de seus personagens, começa a desenrolar uma história de possessão demoniaca que até deve deixar o espectador vidrado com o filme. Na medida que o demônio, que possui o corpo de Hannah Grace, começa a matar os funcionários do hospital para ganhar mais força, Megan começa a também enfrentar alguns demônios do próprio passado e luta para sobreviver ao seu turno naquela noite.

No final, Cadáver faz um suspense honesto, assustador na medida certa e nem um pouco pretensioso na proposta que apresenta. Para os fãs do gênero, o longa entrega uma história de possessão interessante, onde as peças acabam por se encaixar certinho ao longo do filme mesmo poucas surpresas ou reviravoltas.

Nota do Crítico:

Cadáver chega nos cinemas nacionais em 29 de novembro.

Miguel Morales

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