Buzz Editora apresenta obra de Igiaba Scego, uma das estrelas internacionais da Flip 2018

Igiaba Scego é articulista do respeitado jornal La Reppublica e foi publicada na Itália pela exigente e refinada editora Rizzoli. Jornalista e escritora italiana de origem somali. Os títulos de ficção a serem publicados, que preenchem uma importante lacuna do nosso mercado editorial, cuja literatura estrangeira ainda é muito concentrada em traduções do mercado anglo-saxônico, são os romances Minha Casa é Onde Estou (2010) e Adua (2015).

Seus romances, amplamente estudados em universidades europeias e norte-americanas, dão uma vestimenta ficcional, sem qualquer autopiedade, à realidade cultural do pertencimento de africanos refugiados na Europa, que ainda hoje chegam aos milhares na costa da ilha italiana de Lampedusa, o ponto mais meridional do país.

Igiaba Scego consegue entremear em sua ficção anedotas do folclore africano, histórias familiares (sua mãe era uma nômade exímia contadora de histórias) e referências que revelam um profundo domínio da literatura ocidental e do cinema, que funcionava como um lenitivo para as agruras da vida africana sob o jugo imperialista europeu. Os personagens de sua obra lutam para desenhar o mapa de suas próprias identidades divididas.

No autobiográfico Minha Casa é Onde Estou, a protagonista tenta, com os primos, reconstruir as memórias familiares através da topografia de Mogadíscio em contraste com a atual existência “europeia”.

Em Adua, seu romance mais famoso, temas caros à autora como a transculturalidade e a brutalidade do colonialismo europeu assumem uma beleza onírica, tingida pelo encantamento lírico e pelo admirável talento de fabulista da autora. A personagem-título, que tem uma relação tumultuada com o autoritário pai, Zoppe, que havia sido intérprete durante os anos de domínio fascista na Somália, sente-se mais à vontade para contar suas histórias e dividir seus medos com a escultura de um elefante de Bernini na Piazza del Minerv, em Roma. Enquanto luta em silêncio para ser aceita como italiana, Adua se sente mais próxima ao elefante, já que ambos são africanos. Um modo genial encontrado pela autora para entrelaçar duas culturas e duas histórias.

A segunda geração de imigrantes africanos, a que Igiaba pertence, foi obrigada a lidar com a complexa questão da dupla identidade nacional. A realidade cindida destes migrantes oscila entre as raízes africanas e o desejo de ser reconhecido como italiano. Em um momento significativo, a narradora em primeira pessoa de Minha casa é onde estou se pergunta:

O que eu sou? Quem eu sou? Eu sou negra e italiana. Mas também sou negra e somali. Então eu sou afro-italiana? Ou ítalo-africana?

Absolutamente sublime. Igiaba Scego alcança o equilíbrio perfeito entre humor melancólico e raiva fervente. Adua conta uma emocionante história de guerra, migração e família, expondo-nos à dor e à esperança que reside em cada encontro“. Maaze Mengiste, autora de Beneath the Lion’s Gaze, Livro de ficção sobre Caetano Veloso será publicado em co-edição com a Buzz Editora apaixonado ensaio-depoimento de Igiaba Scego, Caminhando contra o vento, chega ao Brasil inaugurando oficialmente uma parceria entre a Editora Nós de Simone Paulino e a Buzz Editora, de Anderson Cavalcante.

As duas casas editoriais decidiram juntar suas forças em torno do título que se encaixa perfeitamente no projeto editorial da Buzz, que desde 2017, figura frequenta as listas de mais vendidos de não-ficção no país.

Como o próprio título já indica, o livro é uma visita afetuosa da escritora ao universo das canções de Caetano Veloso.

Igiaba Scego nasceu em Roma no 1974, de uma família de origens somali. Depois de se formar em literatura estrangeira na Universidade “La Sapienza” em Roma, escolheu trabalhar como jornalista e escritora, colaborando com jornais como Il Manifesto e Internazionale, mas também com revistas que lidam com assuntos muito próximos dela: imigração e cultura africana.

Como autora ganhou vários prêmios e participou de inúmeros eventos, incluindo o Festival de Literatura de Mânua, que a hospedou desde 2006. Entre seus livros: Pecore Nere, escrita junto com Gabriella Kuruvilla, Laila Wadia e Ingy Mubiayi (Laterza, 2005); Oltre Babilonia (Donzelli, 2008); La mia casa è dove sono (Rizzoli 2010, Premio Mondello, 2011), Roma negata (com Rino Bianchi, Ediesse, 2014). Especialista em transculturalidade, adora elefantes, gatos, parmesão, “cedrata” e Caetano Veloso.

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.