Bumblebee | Crítica

Bumblebee tem o carisma dos filmes dos anos 80…

A franquia Transformers sempre foi marcada por um espírito de grandeza e sentimento de megalomania vinda de sua figura central, o diretor Michael Bay. E depois de seis filmes, inúmeras batalhas entre auto-robôs e humanos, parecia que a fórmula havia se esgotado, onde, até o público, sempre fiel, demonstrou quer dar um tempo para os filmes.

 Transformers: O Último Cavaleiro, de 2017, foi a sequência com menor número de bilheteira entre os já lançados. Mas, os ventos da mudança chegaram e Bumblebee (2018) estreia como um frescor para a franquia.

Assim, aliado com um diretor em ascensão em Hollywood, (que nos entrega uma nova visão para os filmes), um roteiro escrito por uma mulher (bem mais preocupado nos como e porque do que apenas na cenas de ação), Bumblebee conta uma encantadora história sobre amizade e companheirismo e faz uma bela homenagem para os anos 80.

Bumblebee Crítica – Foto: Paramount Pictures

E o filme, assim, faz bem mais que apenas colocar músicas da época em sua trilha sonora (que é ótima por sinal com a-ha, Rick Astley e Tears for Fears). Bumblebee consegue contar uma história de amadurecimento e fazer um paralelo interessante entre máquinas e humanos, liderados pela cantora e sensação teen Hailee Steinfeld.

Assim, se você for um daqueles fãs mais hard-core de Transformers, já avisamos para não se preocuparem, Bumblebee tem robôs gigantes que lutam e trocam socos entre si por aí1, explosões gigantes, e claro, um e outro vilão que quer dominar a Terra. Mas no filme de Travis Knight, a grande diferença, é que as partes dramáticas, sempre pobremente desenvolvidas nos filmes, assumem o banco do motorista (de um fusca amarelo!) e lideram boa parte da trama, onde vemos o robô amarelo em sua primeira vez na Terra achar uma parceira de aventuras.

Na trama, vemos a destruição de Cybertron, o planeta natal de B-127 (o nome do Bumblebee!) e Optimus Prime, onde a dupla sai fugida e encontra abrigo na Terra. Então, quando dois robôs do mal, os Decepticons, procuram por eles, Bumblebee tenta se recuperar dos ferimentos da batalha dentro de um fusca amarelo. 

Assim, Bumblebee que começa como um típico filme Transformers, leva o espectador para uma São Francisco nos anos 80, onde a produção faz uma imersão completa e deliciosamente bem executada do dia-a-dia e costumes americanos na época. Temos o país em Guerra Fria, o auge das sit-com na TV, com Alf, O ETeimoso – que estreou em 1986 -, o foco dos EUA em garantir medalhas com programas esportivos para Olimpíadas e claro o famoso bullying escolar retratados nas comédias adolescentes lançadas no período.  

Bumblebee tem o carisma das produções dos anos 80, marcada no filme pelo drama Clube dos Cinco (1985), onde temos Hailee Steinfeld como Charlie, uma garota que sofre e fica deslocada de sua família após a morte de seu pai. Na medida que vemos a personagem levar sua vida, onde tudo que ela mais almeja é uma mudança, a garota encontra num ferro velho uma chance de embarcar numa divertida jornada de autoconhecimento.

Hailee Steinfeld and Dylan O'Brien in Bumblebee (2018)
Bumblebee Crítica – Foto: Paramount Pictures

Todo o trabalho de construção da amizade entre Charlie e o robô é completamente a alma do filme. O roteiro de Christina Hodson tira soluções para tudo, desde da forma como Bumblebee se comporta como um carro, até mesmo, o jeito dele se comunicar com faixas músicas e estações de rádio. No filme, Bumblebee parece um cachorrinho perdido e quem não ama um animalzinho fofo em tela não é mesmo?

Como falamos, toda a essência de Transformers é vista em Bumblebee, mas o conteúdo e a forma com a história é contada fez totalmente e completamente a diferença aqui. John Cena e Jorge Lendeborg Jr. fecham ainda o elenco, onde Cena faz do Agente Burns, um personagem um pouco apagado mas que se desenvolve, na medida do possível, bem no filme, talvez, por nunca comprar o papo dos robôs vilões Shatter (voz de Angela Basset no original e Paolla Oliveira no nacional) e Dropkick (voz de
Justin Theroux no original e Guilherme Brigg no nacional) que precisam dominar os satélites do mundo para encontrar o robô amarelo. Já Lendeborg Jr., faz de Memo, o famoso parceiro alívio cômico de uma forma completamente engraçada e cativante.

E talvez, o maior feito de Bumblebee seja entregar tudo aquilo que sempre vimos em Transformers com um toque novo e diferente, onde o roteiro de  Hodson faz quase milagre de Natal.

Com menos de duas horas de duração, Bumblebee não chega a cansar e faz com uma trama enxuta, uma boa história para um dos personagens mais interessantes da franquia que está longe de ser perfeita.

No final, Bumblebee acaba por ser um bom filme para fechar o movimentado final de ano nos cinemas.

Nota do Crítico:

Bumblebee chega nos cinemas em 25 de Dezembro. 

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales