Bom Comportamento | Crítica

Exibido no Festival de Cannes desse ano muitas coisas fazem você saltar os olhos para Bom Comportamento (Good Time, 2017). Começando pelo visual fantástico, que sabe unir cores vibrantes dentro de um filme escuro, seguindo por uma câmera que se movimenta de forma frenética e dá um sentimento de pressa e correria para quem assiste e faz você ficar com o olho grudado na tela para não perder nem nenhum momento. E terceiro, pela a qualidade das atuações dos atores envolvidos. Assim, um filme com um lançamento modesto, com diretores no início de carreira fazem desse filme uma aposta indie para uma das melhores produções do ano.

Foto: Paris Filmes

Talvez o destaque maior fique aqui com o elenco escalado que consegue passar de forma bastante interessante, intíma e de jeito bem único tudo que os seus personagens estão sentindo. Com um trabalho fantástico de caracterização, a produção tem um ritmo alucinante e um sentimento de desespero que faz quem acompanha conseguir embarcar na saga dos irmãos Nikas logo de cara. Constantine, um impressionante Robert Pattinson, corre contra o tempo para tirar seu irmão Nick (o ótimo Benny Safide) da cadeia depois de um assalto que não vai muito bem.

Bom Comportamento acerta em fazer a câmera enquadrar e focar na cara dos personagens fazendo com que seus atores consigam trabalharem bem a emoção, coisa que poucos hoje em dia conseguem fazer. E assim já começamos o filme conhecendo um pouco do irmão mais novo que sofre de problemas mentais e acaba participando de um programa social do Governo e que tem uma relação conturbada com o irmão mais velho e com o restante da família. Assim, quando os dois resolvem assaltar um banco até as coisas dão erradas e Nick vai preso sozinho.

Com o pé no acelerador, a produção tem uma trilha sonora condizente com o ritmo frenético, alucinado e ágil que o filme quer passar. Suas cenas cheia de luzes neon e cores fortes que exalta a fotografia consegue somente elevar a qualidade do filme. Com uma série de desventuras acontecendo para despistar da polícia, o filme vai se revelando cada mais complexo à medida que as coisas acabam por dar errado e em cada momento o personagem de Pattinson acaba saindo por cima com uma mentira melhor. Constantine definitivamente é uma figura tóxica e isso que faz da atuação de Pattinson ainda melhor, afinal o ator se esforça para tentar deixar que a gente se simpatize com o rapaz mesmo sabendo que o fundo ele não é uma boa pessoa.

Foto: Paris Filmes/A24

Na medida que vemos o personagem tentando quebrar a cabeça para sair das situações que ele mesmo criou e se envolveu, acabamos por torcer, acompanhar e ver qual será seu proximo passo. Mesmo com o filme passando a impressão que a bomba está prestes a explodir em qualquer momento, a atuação de Pattinson surpriende pela intensidade e ajuda muito os outros atores a se destacarem em seus papéis.

Jennifer Jason Leigh como sempre acerta naqueles personagens de bêbada com conflitos e como Corey, uma namorada de Constantine ela consegue ser uma pessoa frágil e beirando a loucura e a trama deixa no ar se o relacionamento entre os dois acaba sendo verdadeiro ou não. A atriz mirim Taliah Webster deixa também o filme com um jeito mais leve e inocente como Crystal que acaba entrando nos eventos pós assalto e uma forma um pouco sem noção e meramente deixada ao destino.

Talvez umas das falhas da produção seja que todos os personagens acabam sendo um pouco malucos demais, confiantes demais na labia de Nikas mas a torcida para o personagem em conseguir resolver tudo é fantástica mesmo com as coisas dão errado e isso acaba sendo muitas vezes. O filme cria alguns eventos um poucos difíceis de se acreditar mas como quem assiste já embarcou dentro da proposta acaba passando.

Com direção dos irmãos Benny (que como falamos também atua) e Josh Safide (que também assina o roteiro) Bom Comportamento tem uma história corrida, com um visual bacana e ótimas atuações e te fará ficar na incomodado no cadeira. Filmado quase todo à noite o visual das luzes deixam o clima do filme ficar com um tipo de melancolia que se mistura com uma forma muito elétrica com a sagacidade do personagem de Robert Pattinson onde ele acaba por roubar a cena e deixará muita gente supresa com sua atuação. Bom Comportamento é um ótimo filme sobre pessoas com um comportamento não muito bom.

Nota do Crítico:

Bom Comportamento em exibição no Festival do Rio e estreia no circuito nacional em 19 de Outubro.