Bohemian Rhapsody | Crítica

Produções biográficas são daqueles tipos de filmes capciosos que podem acabar por ser, tanto um acerto, quanto um desastre. Não basta, apenas, vestir o ator ou atriz com um figurino parecido da pessoa representada, afinal, numa produção que visa contar a história de uma pessoa real é preciso um bom trabalho da produção e de um estudo mais a fundo para compôr o personagem, senão, vira apenas uma pessoa em um (caro!) cosplay.

E todo esse trabalho de caracterização, é um dos grandes destaques de Bohemian Rhapsody (2018).

Aqui, a produção do filme tem em seu protagonista muito mais que uma mera reprodução do cantor Freddie Mercury, em Bohemian Rhapsody tudo é muito mais que somente um ator com um bigode chamativo, uma calça jeans e uma regata branca, temos uma personificação autêntica, e real de um dos maiores artistas do século XX.

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Foto: 20th Century FOX 

Digno de uma atuação que solta faíscas em tela e prende o espectador do começo ao final, o talentoso Rami Malek, entrega um dos melhores papéis de sua carreira e faz um das melhores perfomances do ano. Ao longo de suas mais de 2 horas, Bohemian Rhapsody serve de palco para ator mostrar um personagem envolvente e carismático, numa produção que celebra não só o cantor, mas também, toda a importância da banda Queen para o mundo da música e também como um fenômeno da cultura pop.

E a atuação de Malek, sim, é uma das maiores razões para se assistir Bohemian Rhpsody na maior tela possível. O filme também tem diversos outros motivos, como, por exemplo, as reproduções das músicas já consagradas da banda que devem emocionar, principalmente, os maiores fãs, e também os amantes de música, de uma forma geral. Bohemian Rhapsody acerta em colocar os maiores sucesso do grupo em diversos pontos estratégicos ao longo do filme, onde a edição consegue casar o que é mostrado em tela com o poder que as letras de canções como Somebody To Love e We Are The Champions querem dizer.

Alguns dos destaques ficam para duas passagens, a primeira é a composição da icônica, Bohemian Rhapsody que garante cenas engraçadas e descontraídas, e a segunda, claro, para a histórica apresentação no Live Aid, em 1985, que dá tom do filme e entrega uma sequência completamente viciante.

Mas, entre essas passagens, temos um roteiro que peca um pouco em não se aprofundar em questões de vital importância e que envolvem toda a criação da banda Queen, a acensão meteórica do grupo nas paradas de sucesso, e claro, todo o envolvimento de Freddie na descoberta de sua sexualidade em pleno anos 70 e 80.

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Foto: 20th Century Fox

Bohemian Rhapsody, mesmo envolvido com algumas polêmicas de bastidores, consegue tirar o melhor de si, mas enfrenta alguns problemas de ritmo que vão desde de quais personagens o roteiro precisa focar ao longo da trama, até quais partes da vida de Mercury vamos dar mais destaque. Mas, no final, filme acerta, quando a atenção da trama é voltada para a banda e suas performances, onde Bohemian Rhapsody entrega impressionantes sequências musicais.

O longa em suas partes mais dramáticas acaba por pincelar todas as complexas questões de Freddie com seus parceiros de banda liderados pelo ator Ben Hardy, como Roger e Gwilym Lee como Brian, com a fã Mary (Lucy Boynton), e claro, em falar sobre os outros inúmeros relacionamentos que o cantor teve e o que levaram a descoberta de ser soro-positivo no final dos anos 80. E mesmo que tudo seja apresentado de uma forma bem rápida, em nenhum momento, o roteiro de Anthony McCarten, omite ou esconde nada sobre a trajetória do cantor.

E mesmo não sendo um filme documental, Bohemian Rhapsody passa por momentos chaves da vida de Mercury de uma forma bastante interessante, às vezes um pouco otimista, mas sem deixar de mostrar, as complexas relações entre o cantor e as pessoas ao seu redor. O envolvimento de Freddie, nascido Farrokh Bulsara, com sua família também tem seu espaço no longa, como uma forma de mostrar a mudança na personalidade expansiva do jovem paquistanês e que acabam também por deixar o cantor uma figura mais humanizada mesmo com seu comportamento auto-destrutivo e complexo de diva.

Assim, as músicas envolventes, aliadas com a poderosa atuação de Malek, fazem de Bohemian Rhaposdy um filme de arrepiar. Ao som do Queen, o espectador é transportado para a fileira VIP do estádio de Wembley, onde acompanha um eletrizante show que transborda emoção mesmo com algumas (poucas!) desafinadas.

Um tributo épico, assim como foi Freddie Mercury, e um daqueles filmes que não deve deixar de ser visto.

Nota do Crítico:

Bohemian Rhapsody chega aos cinemas no dia 1 de novembro.

Miguel Morales

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