Blade Runner 2049 | Crítica

Ah, sequências hein? Difícil manter a expectativa do público né? Ainda mais como nesse caso em que ela vem com uma diferença de quase 30 anos. Blade Runner (1982) nunca foi um filme daqueles que levou multidões para o cinema como a franquia Star Wars em 1977 ou até mesmo Indiana Jones em 1981. O único fator em comum entre os três é o ator Harrison Ford que retorna para Blade Runner 2049 (idem, 2017) no mesmo papel do caçador de androides, tradução que o primeiro filme recebeu aqui no Brasil.

Lançado na década de 80, o filme foi todo picotado pelo estúdio que incluiu um final felizinho típico de novela da tarde e tinha uma narração horrível que mais atrapalhava do que explicava até que ele foi lançado e re-lançado até a versão final do diretor chegar em 2007 assim conseguir fazer jus ao filme. Não temos dúvidas da importância do filme para outras produções ao longo do tempo e assim já começamos respondendo uma pergunta importante “mas precisa ver o primeiro filme antes de assistir Blade Runner 2049?”

Não!

Mas a experiência com a sequência vai ser muito melhor e mais gratificante se você ao menos tiver uma noção do que é o mundo criado por Ridley Scott. Algumas referências e cenas você só vai captar ao realmente assistir ao primeiro longa e isso é uma das coisas boas e um dos grandes problemas que a produção que chega aos cinemas essa semana encontrou.

Foto: Sony Pictures Brasil

Mas sim, Blade Runner 2049 transmite de forma muito impressionante a mesma incrível e maravilhosa sensação do primeiro filme em fazer quem assiste entrar logo de cabeça dentro de um mundo novo do futuro que é ao mesmo tempo iluminado mas também muito escuro e tóxico. A produção de 2017 se passa no ano de 2049, 30 anos depois dos eventos de Blade Runner e logo nos primeiros minutos você já consegue embarcar 100% na atmosfera e no ambiente de ficção cientifica com as naves rolando, as roupas meio estranhas e os hologramas pulando de forma piscante em tela.

Assim, acompanhamos o oficial K (Ryan Gosling) em uma missão de reconhecimento e aqui deixamos uma rápida explicação para quem não sabe sobre a trama, o personagem é policial de LAPD que trabalha em uma unidade como um caçador de replicantes. Replicantes são robôs que foram criados para realizar trabalhos que os humanos não querem fazer a medida que as novas gerações foram criadas as antigas deviam se aposentar, mas claro que algumas delas começaram a desenvolver sentimentos mais humanos do que qualquer outra coisa. Para isso que o primeiro filme serve para você entender como funciona a dinâmica dos robôs nessa sociedade do futuro, mesmo que o longa de 2017 tire um tempo para explicar algumas coisas, o roteiro se estende muito para deixar que a produção tenha corpo próprio separado de sua outra parte. Um tiro no pé que acaba sendo compensado por outras partes.

Se você espera por um filme cheio de explosões, lutas intermináveis e perseguições no espaço já avisamos Blade Runner 2049 é esse tipo de filme. Com uma trama complexa ele lida mais sobre questões filosóficas humanas e aborda temas sobre individualidade, o bem maior e claro sobre o indivíduo dentro da sociedade e faz críticas poderosas sobre a relação homem-sociedade. Com efeitos especiais de primeira, tanto na parte de criação de um novo mundo e até mesmo como é o dia-a-dia dessas pessoas (e robôs), o filme atinge um nível de excelência sem tamanho e pouco visto no cinema hoje em dia.

Mas claro que ele tem falhas principalmente nas partes no desenvolvimento de sua própria história e o roteiro, como falamos, caminha de forma meio que as cegas e oscila muito. Tentando explicar sem contar muito da trama que garantimos tem algumas reviravoltas interessentes, é como se uma hora ele te conta uma coisa ou te mostra uma informação para depois passar um tempo e a história deixa aquilo tudo que contou minutos antes para atrás e se repete de uma forma super mastigada e jogada em tela. Outros momentos ao mostrar certas situações, o script deixa o sentimento de “E se?” que te faz questionar se aquilo é realmente real, portanto se faz necessário assistir ao longa com uma certa atenção, para tentar conectar todos as informações apresentadas.

Foto: Sony Pictures Brasil

Em termos de atuação o filme tem nome e sobrenome: Ryan Gosling. O ator entrega uma emoção e consegue ao longo do filme criar uma conexão com o espectador onde tudo vem numa crescente e o sentimento de apoio e torcida por seu personagem faz sua perfomance ficar muito melhor. Gosling está no seu melhor momento e passa uma atuação interessante e cheia de nuances. O trio feminino formado pelas atrizes Robin Wright, como a Chefe de Policia faz uma fantástica personagem e eleva sempre as produções que participa com aquele ar imponente. Ana De Armas como a Joi e Sylvia Hoeks como Luv fazem papéis completamente opostos e estão maravilhosamente bem e deixam suas marcas no filme. Cada uma delas acaba meio que sendo uma força e mantém suas presenças únicas as fazem brilhar de forma única em diversos momentos. Mesmo com poucas cenas, Mackenzie Davis mostra que deveria ser mais aproveitada em Hollywood e junto com Gosling, a dupla faz uma das cenas mais bonitas tanto visualmente quando emocionalmente do longa em uma sequência de cair o queixo em termos de efeitos gráficos.

Se você acompanhou Ford em Star Wars: O Despertar da Força (2015) o ator continua no mesmo piloto automático de relembrar seus antigos personagens que acabam sendo mais acessórios e que deixam o caminho livre para os atores mais jovens se destacarem. No final, aqui ele realmente não precisava estar no filme, só bastava sua citação mas claro que já que o ator se faz presente ele não deixa de entregar uma boa e marcante atuação principalmente em cena com o personagem de Leto, Wallace. Falando no ator, Jared Leto passa um ar robótico, sereno e ao mesmo tempo ameaçador e o ator deixa sua voz ter papel de destaque muito mais que seu atuação fisica que acaba sendo bem mais corporal e sua participação bem reduzida.

Blade Runner 2049 é uma boa continuação que consegue expandir com maestria o universo apresentado no primeiro filme. Com efeitos visuais de impressionar, o longa realmente é uma das melhores produções do ano graças as boas atuações de seus atores. Tendo um roteiro que se apoia em algumas viradas de supetão e uma parte final bem corrida, o diretor Denis Villeneuve consegue fazer o filme ter lindas tomadas tanta áreas quanto quando a câmera é colocada muito perto dos personagens e uma das escolhas que empolgam é o uso de pouca trilha sonora e que no final não fazem muita falta nas mais de 2 horas.

Blade Runner 2049 é realmente um show visual, com detalhes pensados ao máximo e uma fotografia espectacular. É um filme que impressiona e definitivamente faz os olhos brilharem.

Nota do Crítico:

Blade Runner 2049 tem previsão de estréia para 05 de outubro.

Miguel Morales

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