Black Mirror | Crítica da 5ª Temporada

Com uma quantidade reduzida de episódios lançados no quinto ano, Black Mirror abraça seu lado pop e mainstream.

O novo ano de Black Mirror chegou na Netflix, apenas, com três e novos episódios, e por mais que as produções apresentem aquele DNA clássico da série, vemos aqui, que os produtores apelaram para questões um pouco mais diferentes do vimos nas outras temporadas da produção.

Aqui, temos a comprovação que a serie caiu no gosto popular e faz episódios mais glamourosos e conectados com a cultura pop do em outras temporadas. Black Mirror virou mainstream, parou de ser aquela série nichada britânica que foi salva pela Netflix. O novo ano parece ter participado de um episódio do reality show Queer Eye, onde além de ter suas histórias mais focadas para o universo da internet, ainda conseguiu trazer com ela nomes conhecidos do grande público para ajudar a contar sua história.

No quinto ano, temos a cantora Miley Cyrus como uma artista pop em 5×03 – Rachel, Jack and Ashley Too, um dos episódios mais divertidos, mas ao mesmo tempo, menos com a pegada Black Mirror que já passou na história do seriado, onde vemos a verdadeira graça estar em uma boneca robô falante. O episódio, apenas, flerta com algumas situações, tenta levar sua história para certos caminhos, mas apenas, nos entrega o básico, onde os roteiristas parecem ter medo de mostrar uma certa ousadia, coisa que a série sempre foi conhecida por fazer. 

Miley Cyrus está bem, não decepcionou como atriz, onde aqui, o capítulo parece apenas uma boa oportunidade desperdiçada de entregar uma ótima história. Claro, talvez pelo fato de tratar e mostrar um pouco o quão superficial as redes sociais e as imagens que os artistas passam para o público seja frágil, o terceiro episódio do novo ano, parece ter vários caminhos que poderiam ter sido percorridos, claro, em um grande carro com orelhas e pelos de ratos. 

Já o 5×01 – Striking Vipers, ainda que vá mais a fundo em questões sobre a essência dos problemas que os personagens vivem e como a tecnologia os afeta, ainda deixa um pouco a desejar em termos de desenvolvimento de história e do personagem. Os atores principais, vindo de papéis em filmes de sucesso da DC e da Marvel Studios nos cinemas, Yahya Abdul-Mateen II e Anthony Mackie, respectivamente, claro, dão um show como uma dupla de amigos que acaba por um viver um romance virtual na pele de avatares de um jogo de combate. E o episódio ainda chega a empolgar, com cenas gravadas em São Paulo, ao falar sobre sexualidade e relacionamentos, mas peca por não se aprofundar em várias questões, e trabalhar sua trama de uma forma que apenas consegue pincelar a superfície do problema visto, mas que mesmo assim, ainda tem seus méritos por entregar um certo desenvolvimento para sua história sem julgamentos.

As versões dos avatares, os atores Pom Klementieff e Ludi Lin, também vistos em longas de super-heróis, estão bem, mas a graça do episódio, literalmente, fica nos diálogos dos dois nas vozes e pensamentos dos personagens de Danny (Mackie) e Karl (Abdul-Mateen II). Assim, o episódio, ainda consegue lidar com a questão da importância de certas coisas para as pessoas e relacionamentos, e faz, um Hadoken  certeiro no queixo do que é esperado ser normal em relacionamentos monogâmicos.

E para finalizar o novo ano, temos o 5×02 – Smithereens que talvez faça o episódio mais Black Mirror do quinto ano. Intrigante, sombrio e cheio de pequenas reviravoltas, temos aqui, uma história contada sobre os males da tecnologia na vida das pessoas, e as consequências que acabam por afetar as vidas dos envolvidos.

Como destaque do episódio, e da temporada, o ator Andrew Scott faz um personagem único, perturbado e cheio de camadas, em que o episódio, lentamente trabalha para contar a história de um motorista que sequestra um funcionário de uma grande corporação.

Black Mirror, nesse segundo episódio, cria uma trama que deixa o espectador angustiado para saber o que irá acontecer, os motivos que levar o rapaz a fazer isso, e claro, como irá acontecer todo o desenvolvimento do sequestro. A entrada, tardia de Topher Grace na trama como um CEO excêntrico, apenas coroa Smithereens como o melhor episódio do novo ano.

Miguel Morales

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