Black Mirror: Bandersnatch | Crítica

Um leque de opções interminável…

Antes de mais nada, Black Mirror: Bandersnatch é uma experiência de piração até que válida em sua proposta, mesmo que entregue um episódio super cansativo.

Claro, esse episódio especial da série Black Mirror tem como maior atrativo sua interatividade, onde o usuário pode escolher momentos (chaves?) da trama do jovem programador Stephan (Fionn Whitehead, muito bom alías). E assim, Bandersnatch, brinca com a sensação de poder de escolha e live arbítrio dentro do episódio e fora dele.

Foto: Stuart Hendry – © Netflix

Mas, a história em si, chega a ser um leque de opções interminável e por ora um pouco maçante, afinal, parece que nem os próprios roteiristas pareciam ser satisfeitos com as decisões tomadas por eles mesmos ao longo do processo criativo. Assim, como na história, parece que em Bandersnatch, nenhum final é um bom final ou perfeito.

O garoto tem sofre de alucinações se mata e não consegue finalizar o jogo? Nah. O garoto tem um surto mata o pai, enterra no jardim e não consegue finalizar o jogo? Muito sombrio. O garoto tem um surto mata o pai, enterra no jardim, consegue finalizar o jogo… mas ai é pego? Interessantemente mórbido. Viu? aqui parece que faltou algum tipo de decisão final para definir mesmo que escondido dentro de milhares de opções um ponto final para a trama de Stephan.

Parece que em Bandersnatch, a história foi criada para parecer um marco na história de Black Mirror, com viradas e reviravoltas tão grandes que ficamos perdidos nas grandes opções e variáveis que nos impende de ver o grande quadro geral de que no final, Bandersnatch, apenas tem um roteiro ruim escondido dentro de uma caixa de presentes bonita e chamativa.

Foto: Stuart Hendry – © Netflix

Claro, para os fãs do seriado, esse novo Black Mirror, tem tudo que faz um bom episódio, ele usa e abusa da técnica de foreshadowing (quando você coloca pistas sutis na trama de alguma coisa que está por vir), marcada por coelhos de pelúcia, cinzeiro ou livros com o 
título “Olhe a porta e pegue a chave” e com o uso de metalinguagem, onde quer uma coisa mais Black Mirror do que o personagem fazer parte de uma série da própria Netflix? Ou até mesmo, tudo ser uma grande conspiração criada pelo governo.

Como falamos parece que em Blandersnatch tudo foi pensado e trabalhado para deixar o episódio com a maior cara possível de um capítulo de Black Mirror. Ao não chegar em algum tipo de conclusão, a questão de interação do usuário foi pensada.

Claro, isso não tira o mérito da inovação da plataforma de streaming, mas, talvez, com uma trama mais convidativa e menos pretensiosa no que quer passar, a experiência, talvez, possa ter ficado mais memorável e interessante.

Nota do Crítico:

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales