Black Lightning | 1×01 – The Resurrection

Uma série que vai muito além do simplesmente fato de ter um herói protagonista. Black Lightning (Raio Negro) vem para cutucar feridas e expor preconceitos e mostrar as camadas que um isso pode trazer de problemas sociais. Como li em diversos lugares, seria interessante ver Raio Negro no Arrowverse, mas o universo compartilhado, neste momento, precisa mais dele, do que o contrário. A série precisa se consolidar e já em seu primeiro episódio mostra uma maturidade que as outras não tem.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do episódio. Continue a ler por sua conta e risco.

Jefferson Pierce já foi um grande super-herói e aposentou o uniforme ao se ver quase morto e deixando 2 filhas para trás, e é no pedido da então esposa que ele resolve pendurar a chuteira. Mas com o passar dos anos ele se vê “encarcerado” na escola que dirige, precisando fazer acordo com os grupos ao redor e assim evitar que o seu local seja condenado. Ali ele consegue manter uma estrutura sólida para resgatar os jovens negros que não tem oportunidades fora de seu bairro.

O problema é que ele segue sua vida consumido pelo ranco e ódio por não conseguir fazer o melhor a sua volta. É excelente o seu confronto com Lala e como os dois mostram ser duas faces necessárias para a comunidade negra no momento em que vivem. São ambos lados opostos de uma mesma moeda, e ambos seguidos e se vendo em problemas com Tobias Whale.

Mesmo com este episódio focando a ressurreição do herói motivado em salvar sua filha Jennifer das mãos de um dos membros da gangue chamada os 100, que é liderada por Lala, que prefere então matar Jennifer e Anissa, que na tentativa de proteger sua irmã, acaba entrando de cabeça nos problemas dela.

A partir deste ponto vemos Jefferson levantar-se novamente com o aval de sua ex-esposa, Lynn, e a ajuda de seu antigo parceiro Peter Gambi, que já tem um novo uniforme para ele. Os efeitos em cima dos poderes de Raio Negro são bons e as cenas de luta bem coreografadas e torço para que continue assim nos próximos 12 episódios que terá a temporada.

Cress Williams está excelente no papel e dá o tom grandioso para Raio Negro e se mostra frágil o suficiente diante o sistema quando está como Jefferson. Outro ponto alto da série é sua trilha sonora que é escolhida a dedo para embalar as cenas, assim como sua fotografia caprichada.

O levante dos vilões é bem contado, e Anissa descobrindo seus poderes tem tudo para dar um tom interessante a série, além de toda a grandiosidade que a mesma pode ter. Temos um herói renascendo diante da necessidade e uma heroína surgindo com um olhar diferente e mais comprometido.

Black Lightning em seu episódio inicial consegue nos segurar e torcer por seus personagens, além de ter um vilão que consegue nos fazer temê-lo inicialmente, mesmo sem mostrar todo o seu potencial. Agora nos resta ver seu segundo episódio e ficar na esperança de que mantenha seu ritmo e mais ainda, sua força.

Confira a trilha sonora de Black Lightning no Spotify:

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.