Barry | Crítica da 2ª Temporada

Todo mundo quer matar Barry!

Barry, uma das mais gratas surpresas de 2018, retornou para novos episódios com uma grande pressão e altas expectativas. E a série faz isso de uma forma fantástica, se livra da maldição da segunda temporada, e entrega um novo ano ainda mais interessante, morbidamente divertido e marcado por atuações fantásticas de seus atores, liderados pelo talentoso Bill Hader que faz de seu Barry uma das figuras mais complexas da TV no momento. 

Bill Hader in Barry (2018)
Barry – Temporada 2 | Foto: HBO

De volta aos palcos! O novo ano, começa, logo em seguida do gancho de final de temporada alucinante, onde Barry, no início dessa segunda temporada, resolve abraçar seu lado mais humano e focar na vida como Barry Block, o aspirante a ator e não mais o matador de aluguel, e no seu relacionamento com seu professor de teatro Gene (Henry Winkler, ótimo) que sofre com seu luto e vê sua vida mudar completamente, e com a colega Sally (Sarah Goldberg) que descobre que ser honesta e encarrar seus problemas ajuda no desenvolvimento de suas técnicas de atuação.

Assim, os primeiros episódios do novo ano de Barry (2×01 – The Show Must Go On, Probably?, 2×02 – The Power of No) mostram esse mundo novo para o personagem, onde ele se pergunta: eu sou uma boa pessoa, não é mesmo? E então, o grande norte que a temporada nos entrega acaba por ser o personagem (tentando!) se convencer que ele pode deixar seu passado matador de lado e focar nas coisas boas que sua vida em Los Angeles pode oferecer. 

Mas, claro, quando você está envolvido com a máfia da Chechênia, isso tudo não parece uma tarefa muito fácil, como fica claro em 2×03 – Past = Present x Future Over Yesterday). Na segunda temporada, Barry parece apresentar seus arcos em duas frentes, temos novamente o foco no grupo de teatro, onde os colegas de Barry parecem ganhar um pouco mais de destaque ao bolarem atos que falam sobre seus maiores medos, e também, vemos a série continuar a desenvolver a trama que envolve a gangue de mafiosos. E aqui, Barry parece ser um seriado à parte, onde o excêntrico Honk (Anthony Carrigan, sensacional) assume o poder e precisa lutar com uma facção rival.

Assim, essas duas frentes ainda se unem com a investigação da morte da policial lá no final da temporada um, que entrega o ótimo 2×04 – What?. Parece muita coisa para uma temporada com episódios de 30 min, mas Barry lida com isso de uma forma quase magistral, onde os arcos se conectam, aos poucos, ao longo da temporada, onde tudo converge para seu único denominador comum: Barry! 

E assim, Barry é a pólvora que faz a temporada pegar fogo e entrega episódios consistentes, divertidos em sua maneira, e que fazem um humor bem sútil e ao mesmo tempo, surrealmente hilário.

Henry Winkler in Barry (2018)
Barry – Temporada 2 | Foto: HBO

Barry se apoia em monólogos e ganchos para criar uma temporada ainda mais pirada, com situações que parecem impossíveis para os personagens sairem, e que fazem uma dupla de episódios finais (2×07 – The Audition e 2×08 – berkman > block) de explodir a cabeça com as inúmeras repercussões que os eventos apresentados podem oferecer para o futuro da série.

Assim, ao fechar da cortina desse segundo ato, vemos Barry (a série), Barry, Gene, Sally em marcações completamente diferentes daquelas que estiveram no começo da temporada. Luzes se apagam. Pausa. Início do Ato Três. 

As duas temporadas de Barry estão na HBO.

Miguel Morales

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