Bacurau | Crítica

Bacurau – 17 Km

Arrebatando prêmios e críticas positivas por onde é apresentado, Bacurau traz o melhor do cinema nacional e ainda faz reviravoltas de tirar o fôlego, com atuações sensacionais, e tudo muito bem amarrado por conta do roteiro de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, que também dirigem a produção.

Bacurau logo de início traz a informação de se passar em um futuro não muito distante, mas é impossível não fazer comparações a vivências tão atuais, que chega a dar um frio na barriga ao acompanhar o desenrolar da película. Visceral, o filme nos prende logo no início ao mostrar a realidade da pequena comunidade de Bacurau.

O que é mais interessante é esse início, que não nos apresenta de cara sua trama e faz um filme leve, mostrando o cotidiano da comunidade, seus habitantes, os medos e forças, mas principalmente, a forma como eles se mantém unidos, mesmo quando poderiam brigar entre si pela falta que a prefeitura renega o pequeno distrito.

Apresentando os personagens principais de forma a nos envolver ao drama de perdas e esperança, não há um que não nos faça ficar interessado em sua vida, como Domingas, com uma Sônia Braga livre e que me surpreendeu em não reconhecê-la de primeira, Teresa, e até Pacote com seu ar desconfiado. Só que Silvio Pereira rouba a cena com seu Lunga e até mesmo Michael, com Udo Kier trazendo um sadismo sensacional.

Se no começo do longa você espera que explorem a seca, a falta de saneamento e saúde básica, quando o longa vai desenvolvendo e entendemos a chegada de vários forasteiros, mortes bizarras, o mistério de Bacurau sumir do mapa e um disco voador.

A partir deste ponto o longa entra em uma jornada de tirar o ar em busca de sobrevivência e mostrando uma caçada desenfreada. A mudança de temática do longa se mostra bizarra, só que é tão surpreendente que você fica colado na poltrona esperando por explicação. Os seus 131 minutos simplesmente voam diante de seus olhos, parecendo até efeito da erva que os personagens usam. ùnico ponto

Meu único ponto de reclamação é que após a reviravolta e iniciada a caçada, fica faltando um tom de desespero e morte, mas nada que atrapalhe a produção.

Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles são geniais em sua entrega e é de fácil compreensão o motivo do Prêmio do Júri que eles levaram no Festival de Cannes. Bacurau é sensacional!

Nota do Crítico:

Bacurau chega aos cinemas no dia 29 de agosto.

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.