Atômica | Crítica

Atômica (Atomic Blonde, 2017) veio no momento certo nesse período pós-Mulher-Maravilha (2017).  Não que o filme seja parecido em termos de narrativa ou desenvolvimento de personagem, afinal a personagem de Charlize Theron não tem super poderes iguais aos de Diane Prince, mas pela importância que sua espiã tem de ser uma figura central feminina nas telonas nos dias de hoje.

Theron se entrega totalmente e faz uma agente do governo britânico destemida, forte e inteligente. E ao fazer isso, a atriz se desprende de tudo: vaidade, charme e alguns dentes no meio do caminho para bater muito em todos os alemães que entram no seu caminho e atrapalham sua missão.

Foto: Universal Pictures

A trama do filme se passa no final da década de 80, onde a Alemanha está dividida pelo Muro de Berlim e a agente secreta Lorraine Broughton tem uma missão: resgatar uma lista roubada que contém os nomes de alguns espiões disfarçados. Assim, ela é mandada para o lado Oriental da cidade para tentar resgatar lista e precisa contar com a ajuda de um oficial local, David Percival (James McAvoy). Mas ela percebe, ao pisar na cidade que não pode contar e confiar em ninguém, além, dela mesmo e seus instintos.

Atômica pode ser definido em uma palavra: brutal! O filme tem ótimas cenas de ação com muita pancadaria, perseguições e tiroteios. As lutas corporais são um dos grandes destaques do filme, e além de mostrar uma brutalidade imensa são bem gráficas, reais e intensas. Isso claro, se deve muito ao trabalho da direção de David Leitch, que durante anos trabalhou na coordenação de dublês para esses tipos de cenas e agora começa sua carreira na direção ficando responsável pela sequência de Deadpool pela FOX. A realidade com que as lutas são feitas, junto com os posicionamentos de câmera e os cortes fazem o filme ficar com um ritmo muito interessante e que te prendem de uma forma sem tamanha.

Em uma das melhores cenas do filme e talvez uma das melhores sequências do ano, onde vemos Lorraine precisar se esconder de capangas alemães em um prédio abandonado, vemos toda a qualidade e preocupação que o filme teve com isso. Gravada quase toda sem interrupções e com a câmera acompanhando todos os passos da personagem enquanto ele se defende e ataca, a passagem é maravilhosa e realmente de tirar o fôlego.

Outra coisa que Atômica faz muito bem é escolher sua trilha sonora, que é inserida no filme de forma muito bem executada, as músicas que contam com a participação das bandas Depeche Mode, After the Fire, New Order, e David Bowie, ajudam a contar a história e conseguem dar um charme ainda maior para a produção.

Se Charlize Theron brilha o tempo todo, o mesmo pode se dizer de McAvoy que consegue novamente entregar uma atuação interessante, totalmente fora dos padrões comuns, completamente chocante e magnética. Realmente o ano de 2017 é o ano do ator que vem do impressionante Fragmentado . Os outros personagens coadjuvantes como Sofia Boutella (vista em A Múmia, 2017) e Bill Skarsgård (da série Hemlock Grove da Netflix) mostram que mesmo com um papel menor dá para conseguir mostrar um bom trabalho se você tiver talento. Os dois estão muito bons e a medida que Boutella te conquista com seu charme, Skarsgård se destaca por suas feições e olhos arregalados que mostram mais sobre seu personagem do que as poucas falas que o ator tem.

Foto: Universal Pictures

O filme possui alguns problemas claramente, e isso fica bem visível principalmente por conta do roteiro de Kurt Johnstad que parece que foi moldado para acomodar as cenas de pancadaria ao longo da sua história. Com uma complexa história de espiões e agentes duplos e triplos misturado com conspirações, Atômica segura muito dos segredos de sua trama e depende muito dos closes de cenas com Theron desfilando por ai com casacos pretos e botas estilosas para depois da sua metade para o final entregar e contar tudo de um jeito rápido, um pouco desconexo e bem explosivo. Ao chegar nos momentos ainda mais finais, a trama muda tudo novamente e te pega de surpresa apagando tudo que foi explicado cenas atrás, o que acaba sendo uma coisa boa pela ousadia e ruim pela montanha russa de informações. Mas o filme é realmente uma avanço nas tramas de espionagem que coloca filmes como Salt (2010) com Angelina Jolie, Nikita (a série de TV) e até mesmo os recentes James Bond no chinelo.

Com uma fotografia maravilhosa e um visual impecável, Atômica trabalha com cores fortes e vibrantes para contar uma história de super-espiões em um momento crucial da história mundial. O filme se apoia na atuação e dedicação de Charlize Theron para contar uma trama imprevisível, instigante e bastante impactante. Atômica é realmente um dos filme mais descolados do ano que marca presença e quebra tudo!

Nota do Crítico:

Atômica chega aos cinemas em 31 de Agosto.

Miguel Morales

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