As Viúvas | Crítica

Steve McQueen reúne em As Viúvas (Widows, 2018) um elenco de estrelas de Hollywood para contar uma impactante, real e densa história sobre dor, luto, roubos e conflitos de classe num drama cheio de surpresas e claro, boas atuações.

Com roteiro da veterana Gillian Flynn e do próprio McQueen, As Viúvas faz um daqueles filmes onde tudo pode acontecer com qualquer um e em qualquer momento, onde a trama envolve seus personagens num mix de realidade com dramaticidade muito executado. Claro, a edição brusca e as tomadas com um ritmo frenético do começo do longa deixam o espectador curioso com as histórias dessas mulheres que se encontram no meio de uma trama de disputa de poderes e corrupção que se desenrola logo após seus maridos morrem enquanto aplicavam um golpe.

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Foto: 20th Century FOX

O roteiro mescla ação e drama em doses que não se sobrepõe uma outra sob a outra, mesmo que no final, o filme não escolha para que lado irá e navega entre os dois gêneros de uma forma que pode não agradar todos. As Viúvas é um grande filme de assalto, mas também, um grande drama que coloca o dedo na ferida nas questões raciais cada vez mais evidentes nos EUA, com destaque para as cidades de Boston, Chicago e Detroit.

Aqui, em As Viúvas, seus atores experientes se entregam para compôr seus personagens. Viola Davis, como Veronica, novamente faz uma personagem humanizada, cheia de complexidade e nos entrega uma atuação de arrepiar. Davis nos mostra mais uma vez ser uma das melhores atrizes da sua geração, já Elizabeth Debicki, sai do fundo da sala, agarra sua chance, brilha e garante um lugar entre os pesos pesados do filme como Alice, e faz uma personagem que dá a volta por cima e se liberta de anos de abusos físicos e psicológicos.

Entre o elenco masculino, temos o talentoso Daniel Kaluuya num papel pequeno mas importante para a história, onde o ator faz de Jatemme uma das melhores coisas no longa, numa atuação onde mostra toda a insanidade de seu personagem, onde faz em dupla com o ótimo Brian Tyree Henry,  irmãos que tentam colocar Jamal na Câmara de Vereadores.

O restante do elenco parece ter sido bem escalado pela produção, Michelle RodriguezCynthia Erivo tem seus momentos mas nada muito que chame a atenção. Já Colin Farrell, faz um papel dentro do esperado como um politico corrupto e Robert Duvall, em poucas cenas, também se destaca como um personagem completamente detestável.

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Foto: 20th Century FOX

Para os fãs da franquia 11 Homens e Um Segredo, ou do mais recente, 8 Mulheres e um segredo talvez esse filme não seja para vocês. As Viúvas se assemelha muito mais com a série Good Girls, onde temos um grande roubo em si em andamento ao longo do filme, mas também, acompanhamos uma trama muito mais focada nos dramas dos personagens, suas motivações e preocupações, onde McQueen aproveita para fazer sua crítica social de uma forma ousada mas sem ficar didática.

As Viúvas é marcado por grandes nomes e boas atuações numa história cheia de pequenas reviravoltas, onde mesmo com um texto não tão original, e até diríamos, conveniente em alguns momentos acerta em manter um tom mais realista e em alguns momentos sombrio. Mas, só de ver Viola Davis andando em tela com um cachorrinho em mãos e comandando uma operação para roubar 5 milhões de dólares, As Viúvas já vale o ingresso e a ida ao cinema.

No final, As Viúvas faz um dos filmes mais ousados e arriscados do ano. E como diz o ditado, quanto maior o risco, maior o retorno e McQueen garante isso.

Nota do Crítico:

Visto na Mostra Cinema Negro em São Paulo em Novembro.

As Viúvas tem previsão de estreia para 29 de novembro no Brasil.

Miguel Morales

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