As Rainhas da Torcida | Crítica

Em um grande resumo, As Rainhas da Torcida (Poms, 2019) pode ser considerado o típico filme das férias: uma produção divertida, inspiradora, e com uma história completamente cativante. 

Com gostinho de Sessão da Tarde, essa dramédia tem, liderando seu elenco, as veteranas (e ótimas!) Diane KeatonJacki Weaver, onde As Rainhas da Torcida passa uma mensagem sobre ir atrás dos seus sonhos, mesmo que você esteja com 60, 70 anos. As Rainhas da Torcida vem para abocanhar um certo tipo de público, aquele mais velho, e que vem sendo o foco de uma produção aqui e ali que mostram idosos em situações completamente fora do que é considerado o esperado. Tivemos a própria Diane Keaton em Do Jeito Que Elas Querem (2018), e ainda Despedida em Grande Estilo (2017) com Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin, onde As Rainhas da Torcida segue, quase a mesma premissa, troca-se o roubo de bancos por uma competição de animação de torcida.

E ao criar esse novo gênero para as comédias, temos filmes estão ali para entreter, mas também para passar mensagens de superação, e sacudir algumas coisas. Assim, As Rainhas da Torcida acaba por ser nada mais que isso, um filme com um trama leve e super descontraída, que mostra um grupo de senhoras que se juntam para formar um grupo de animadoras de torcida. “Mas para quem vocês vão torcer?” Indaga uma das personagens, “Para nós mesmas!” responde a outra. E esse é realmente o tom que o longa passa. 

Pam Grier, Diane Keaton, Patricia French, Rhea Perlman, Phyllis Somerville, Carol Sutton, Jacki Weaver, and Ginny MacColl in Poms (2019)
As Rainhas da Torcida – Crítica | Foto: Diamond Films

Situações bem humoradas, planos mirabolantes, e um roteiro bem água com açúcar que marcam As Rainhas da Torcida, onde somos apresentados para o grupo de senhoras que vem suas vidas serem mudadas nesse sentimento de fazer parte de alguma coisa maior, mesmo no final de suas vidas, e vivendo num lar de repouso. Assim, vemos a aposentada Martha (Keaton) chegar no lar de idosos, depois de abandonar o tratamento contra o câncer, e pronta para viver seus últimos dias de vida sozinha e na amargura.

Mas claro que não isso que acontece não é mesmo? As Rainhas da Torcida acerta em colocar o lado mais dramático de Martha em contra posto tanto com a personagem de Sheryl (Weaver) quanto com os outros dramas das outras senhoras, que uma a uma vemos superar suas diversidades para entrar no grupo, seja Alice (Rhea Perlman, hilária) tentando superar um marido abusivo, Helen (Phyllis Somerville) o filho controlador, e Ruby (Carol Sutton) na descoberta de seu próprio corpo. O filme ainda dá espaço para mostrar a relação dos jovens com essas mulheres, numa troca de experiências que movimenta bastante a trama, e liderados pela animadora Chloe (Alisha Boe).

Bem humorado, e com uma trilha sonora bem da velha guarda, As Rainhas da Torcida consegue criar um clima convidativo para o público embarcar na história mais por surreal, e às vezes, sem pé nem cabeça seja. O roteiro de Shane Atkinson é simples, vemos que em boa parte o grupo de atrizes parece estar se divertindo, mais do que atuando, mas no final, as coisas funcionam para As Rainhas da Torcida. 

Toda a história de superação das personagens, e como elas são inseridas no mundo digital cheio de memes e vídeos virais deixam o filme com uma sensacional gostosa, onde As Rainhas da Torcida faz um confort movie bastante encantador em sua maneira.

Nota do Crítico:

As Rainhas da Torcida nos cinemas em 25 de julho.

Miguel Morales

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