Antes Que Eu Vá | Crítica

Produções com a temática de bullying tem cada vez mais ganhado espaço nos últimos tempos. O ápice chegou com a série da Netflix, 13 Reasons Why onde o tema foi debatido e discutido ao máximo. Assim, Antes Que Eu Vá (Before I Fall, 2017) baseado num livro escrito por Lauren Oliver e lançado em 2010, também aborda essa temática.

O filme é retratado de um jeito mais leve do que a série do serviço de streaming e conta uma história importante, com um toque de fantasia no melhor estilo do filme Feitiço do Tempo (de 1993 e com Bill Murray no elenco) e é também totalmente focado para o público jovem. Então conhecemos Samantha Kingston (a esforçada Zoey Deutch) uma garota que está no Ensino Médio, tem uma vida bem estruturada com um namorado, amigas descoladas e uma casa grande com uma família comercial de TV.

Foto: Paris Filmes

Passamos os primeiros momentos do filme apenas sendo apresentados ao mundo que Samantha, ou Sam para os íntimos vive. No melhor estilo de uma série da The CW vemos os jovens bonitos, usando roupas de festas para ir a escola dominar o circuito escolar como se o mundo os pertencesse. Acompanhada das melhores “migas” Ally Harris (Cynthy Wu), Lindsay Edgecomb (Halston Sageuma das surpresas positivas do filme) e Elody (Medalion Rahimi) elas andam pela escola com seu carisma e amizade contagiante a tira colo e assim a produção consegue estabelecer de forma bem direta uma não empatia com a gangue e quem assiste já fica com o pé atrás em relação a esse mundo perfeito e cor de rosa. 

Se passando perto do dia dos namorados vemos o desenrolar da trama se passar numa sexta-feira onde as jovens vão todas para uma festa e a principio as coisas estão bem como sempre foram, mas um acidente inesperado acontece e Sam acorda em sua cama como se nada tivesse ocorrido. A personagem demora para perceber, mas depois de um tempo vê que nada daquilo é real mais, principalmente ao notar que os eventos já acontecidos começam a se repetir para ela que assim se vê novamente dentro do dia anterior com as situações ocorrendo exatamente do mesmo modo, os mesmos detalhes, as mesmas conversas e as mesmas situações que passou. Até que então ela percebe que ficará presa nesse ciclo vicioso eternamente.

A sacada do filme é mostrar que a vida perfeita da moça não é tão perfeita, ela não tem paciência com a irmã menor, não sabe lidar com a mãe, se vê presa num relacionamento com um cara estranho e a medida que seus dias ficam mais repetitivos, ela volta a acordar em sua casa, não importa as ações que fez no dia anterior.

Assim, Sam percebe as rachaduras que começam a atrapalhar o brilho em seu espelho que parecia ser perfeito. Sendo uma menina esperta que se camufla para ser aceita por todos ela começa a ver e notar certos comportamentos e assim percebe que ao reviver aquele dia sempre ela pode tentar consertar as coisas, descobrir quem ela é e desvendar o mistério que envolve sua morte.

Foto: Paris Filmes

Com uma boa trilha sonora, não esperando muito de si próprio e sem muitas explicações mirabolantes Antes Que Eu Vá é o típico dramalhão teen que apenas pincela alguns assuntos sem muito se aprofundar em questões muito polemicas como estupro, suicídio e relacionamento entre aluno-professor. O filme mostra e deixa no ar coisas e falha ao desenvolver, ou no caso não desenvolver algumas dramas. Em sua maior parte a produção faz um bom final ao conectar a maior parte de suas tramas e deixa um sentimento de jornada completa ao entregar uma trama de auto-conhecimento com uma mensagem interessante e que acaba sendo um bom filme para se ver numa tarde descompromissada e que você não esperar muito em troca. Afinal, todos merecemos um guilty pleasure de vez em enquanto e esse definitivamente é um desses que deve entrar na sua lista.

Nota do Crítico:

Antes Que Eu Vá estreia em 18 de maio.