Anna – O Perigo Tem Nome | Crítica

O diretor Luc Besson em sua filmografia, desde de sempre, apostou em rostos belíssimos para protagonizar suas produções… foi assim, lá na década de 90 com Nikita: Criada para Matar (1990) e a atriz Anne Parillaud, passando por O Quinto Elemento (1997) e Milla Jovovich, até chegar nos anos 2000 em Lucy (2014), com Scarlett Johansson, e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) com Cara Delevingne

Todas elas, e todos esses filmes em comum, tem o fator de serem protagonizados por mulheres que parecem ter saído de uma passarela, mas que estão prontas para lutar contra um exército de mercenários com as próprias mãos, e Anna – O Perigo Tem Nome (Anna, 2019), segue a mesma cartilha.

Sasha Luss in Anna (2019)
Anna – O Perigo Tem Nome | Crítica | Foto: Paris Filmes

Aqui no novo filme do diretor, temos uma protagonista. ao mesmo tempo tão sedutora quanto fatal, nos mesmos moldes de Atômica (2017), que dá conta do recado, onde Anna – O Perigo Tem Nome entrega um bom filme de espionagem.

Claro, o filme sofre por não ter uma protagonista como Charlize Theron, mas se garante em nomes conhecidos para seus personagens coadjuvantes que roubam a cena. Assim, Anna – O Perigo Tem Nome também é marcado por inúmeros viradas no roteiro, onde temos uma grande miscelânea de tudo o que faz um filme do gênero se destacar. Anna – O Perigo Tem Nome coloca tudo isso em tela para capturar, e jogar o espectador para o mundo da super espiã Anna (Sasha Luss em seu primeiro grande papel) com desfiles de moda, missões secretas, e uma trama de espionagem que se apoia no famoso combo, EUA Vs Russia, CIA vs KGB. Assim, a produção entrega um filme com uma estrutura narrativa em zig-zag, cheia de idas e vindas na trama, e que deve exigir atenção do espectador.

O roteiro escrito por Besson usa artifícios para contar a história da modelo russa que vira espiã que são curiosos e deixam o filme com um ar de suspense bastante interessante, mas que podem cansar por serem repetitivos, e alguns até mesmo confusos, ao longo de suas quase 2 horas de duração.

Aqui, Besson apresenta Anna – O Perigo Tem Nome como uma verdadeira matriosca, aquela boneca russa que temos uma dentro da outra, onde ao abrimos, aparece uma boneca cada vez menor, em que nesse paralelo vemos o filme apresentar sua história por etapas, e por diversos momentos, temos inúmeras passagens para introduzir seus personagens, e suas funções dentro da trama, para depois, o texto, voltar nas mesmas cenas já vistas para incluir novas etapas da equação, e ainda, nos apresentar o que já vimos de uma outra forma, seja por um outro ângulo, ou um outro ponto de vista, com novas informações que mudam completamente nosso olhar sobre o que já foi contado, o que deixa o filme, com novas camadas para dar continuidade para a trama de uma forma bastante ágil e rápida.

Assim, vemos Anna enfrentar os maiores perigos e missões para a KGB disfarçada como uma modelo de sucesso para uma agência internacional, onde a promessa de cumprir um contrato para a agência de inteligência russa por 5 anos é dada para a jovem por um oficial do alto escalão do governo, interpretado pelo ator Luke Evans, que tem mais presença física do que um arco narrativo próprio, onde o mesmo vale para o agente da CIA, interpretado pelo ator Cillian Murphy. Em Anna – O Perigo Tem Nome o foco fica na construção da personagem título, e como ela consegue ser, no final, e sem spoilers, a pessoa mais esperta da sala.

Helen Mirren, Luke Evans, and Sasha Luss in Anna (2019)
Anna – O Perigo Tem Nome | Crítica | Foto: Paris Filmes

E como um bom filme de espiões, sabemos que uma vez espião sempre espião, não é mesmo? Assim, Anna – O Perigo Tem Nome faz uma mistura de Operação Red Sparrow (2017) com John Wick (2019), onde o filme se destaca pelas cenas de luta, principalmente uma em que vemos a jovem entrar num restaurante cheio de membros da máfia, e descobrir que o cartucho da sua arma não está carregado, e consegue sair de lá viva, e com seu casaco de pele depois de enfrentar uns 30 caras. O time da produção faz com que Luss dê um show à parte de se acompanhar nas cenas de ação, onde talvez, a complexidade da trama, as viradas na história com as traições mais mirabolantes, os planos malucos, e as passadas de perna, só fiquem aceitáveis por conta do ritmo frenético que o longa apresenta nas tais cenas de ação.

Em Anna – O Perigo Tem Nome quem rouba a cena é a personagem da atriz Helen Mirren, como Olga, que comanda as missões da organização que contrata a jovem espiã, e serve para dar uma seriedade para o longa, onde vemos a a líder da operação russa dar as cartas ao longo de todo filme, o que dá a chance da veterana atriz mostrar que, às vezes, basta um nome forte para dar consistência para um filme, mesmo que no fundo, sabemos que não se consiga fazer isso sozinha.

Anna – O Perigo Tem Nome tem seus méritos ao entregar uma produção dentro do esperado para os padrões e que tenta fugir um pouco do básico, onde nos vemos abraçados e conduzidos por tudo que envolve o filme, seja por conta de sua protagonista sedutora, pelas as cenas de perseguição, ou pelas boas coreografias nas cenas de lutas. Por mais que Besson não entregue nada de novo e apenas fique no lugar comum, Anna – O Perigo Tem Nome faz um divertido e impactante quebra-cabeça, onde nunca sabemos quando teremos uma nova reviravolta na trama, e qual personagem irá passar o outro para trás.

Nota do Crítico:

Anna – O Perigo Tem Nome chega em 29 de agosto nos cinemas. Pré-estreias em 23, 24 e 25 de agosto.

  

Miguel Morales

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