Amityville: O Despertar | Crítica

Numa crescente de filmes de terror sendo lançados esse ano entre produções novas, adaptações de livros e claro remakes, Amityville – O Despertar (Amityville: The Awakening, 2017) vem para preencher uma lacuna interessante. Com um ar mais parecido com Scream, a série de TV lançada pela MTV, o filme conta com um elenco jovem conhecido do grande público que ajuda a ser um chamativo para a produção no meio de tantos lançamentos, afinal Outubro está ai e muitos filmes vão aproveitar a chegada do mês do Dia das Bruxas para fazerem a alegria dos fãs e do amantes do gênero.

Foto: Paris Filmes

Com direção e roteiro de Franck Khalfoun (dos filmes P2 – Sem Saída, 2007 e Maníaco, 2012) o filme tem um visual bem interessante, escuro e com um clima de produção trash mesmo no final acaba não sendo uma. Com uma história não muito criativa (até certo ponto) acompanhamos a jovem Belle (Bella Thorne) chegar com sua família na cidade procurando um novo começo mas indo morar na casa.

O filme tem seus mistérios que são apresentados de formas bem didáticas até e a produção deixa se forma muito óbvia e sem tempo a perder algumas coisa, o filme planta a dúvida de algum acontecimento e depois usa de artifícios para explica-lo, seja num bate-papo descontraído entre amigos, numa consulta médica ou em algum diálogo de forma bem rápido. O filme já desenvolve seus mistérios no começo e deixa a ação para a parte final em um roteiro bem dividindo.

A melhor parte de Amityville – O Despertar que ele não se leva a sério e assim como os filmes da franquia Pânico e da série Scream usa toda uma metalinguagem para fazer piadas de si próprio e claro das produções do gênero. Com uma atmosfera que deixa na cabeça do espectador a dúvida sobre o que é realidade ou não, o longa atira para todos os lados e cria cenas que variam entre sonhos, alucinações e falha em não acompanhar todas suas tramas e falha em deixando muita informação no ar jogada e por sumir com personagens sem muita explicação.

A atriz Bella Thorne, realmente é uma presença marcante visualmente em tela e faz uma personagem com um visual jovem-revoltada-gótica suave mas que no fundo é uma boa pessoa. Mas sua atuação como grande parte das atrizes de sua geração não é lá essas coisas e parece em muitas cenas que ela está lá por obrigação e poderia ser trocada por qualquer uma indo de Emma Roberts em Scream Queens até Carlson Young da própria Scream!

Jennifer Jason Leigh casa perfeitamente com o papel, e fica claro que se você precisa de uma mãe que varie entre amorosa e obsessiva pode chamar a atriz que ela dá mais do que conta do recado. A relação mãe-filha é um dos pontos altos do filme e claro Leigh engole todos a sua volta com aquele seu olhar assustado mas determinado. Cameron Monaghan, como James, faz uma atuação interessante e até assustadora mesmo com os efeitos corporais um pouco forçados e até artificiais. Mckenna Grace, já figurinha carimbada em algumas produções não faz feio e claro para sua idade consegue demostrar fragilidade e está ali como um ponto de apoio para a trama. Jennifer Morrison, faz um papel avulso e super inexpressivo, se você for muito fã da atriz vai se decepcionar. 

O filme tenta criar alguma coisa mais complexa e incluir alguns assuntos mais profundos mas talvez pela forma que foi editado para deixar a trama um pouco mais ágil ele não acaba seguindo e nem continuando boa parte das tramas.Os personagens não ficam se remoendo em longas cenas e são bem diretos e isso fica bem claro a medida que a personagem principal começa a ser bombardeada de informações sobre o passado da casa. Ela vai logo a fundo na história, desde de perguntar sobre a presença maligna direto para fonte ou até mesmo procurar formas de se salvar. Como falamos o filme não segura seus mistérios mas também fica seletivo ao que vai contar o que não.

Assim, Amityville – O Despertar é um filme que não é um dos melhores em termos de roteiro ou efeitos práticos e até mesmo especiais. Mas conta com bons momentos de susto e te faz dar uns pulinhos na cadeira de forma comedida. A produção só falha em colocar muitas tramas paralelas e meio que se repetir por alguns bons minutos (às 3h15 para ser exato) mas depois de um ano com Annabelle – A Criação e IT – A coisa, o longa vem ai para fazer os fãs do gênero continuarem a irem ao cinema. Se você é fã de produções como Pânico, essa continuação/remake de Amityville é um prato cheio.

Nota do Crítico:

Amityville: O Despertar estreia em 14 de Setembro.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales