Alguém Especial | Crítica

Alguém Especial (Someone Great, 2019) tinha tudo para ser aquela produção Netflix super descontraída, um guilty pleasure para assistir no feriado, aquilo que a internet chama de uma farofinha das boas, mas não, ao dar play no longa estrelado por Gina Rodriguez, Brittany Snow e DeWanda Wis, vemos que o filme parece ter algo mais, ser algo mais especial do que apenas ser uma comédia romântica bobinha.

Assim, Alguém Especial acaba por ser um daqueles filmes com cara de super indie, com um roteiro cheio de camadas, com uma estética que abusa dos filtros de instagram e faz uma daquelas produções que chegam até ser um pouco pretensiosas, sabe?

Alguém Especial – Crítica | Foto: Netflix

Alguém Especial faz, um tipo de filme na mesma pegada de uma série da HBO, a comédia Girls, só que sem os devaneios de mulheres brancas, onde aqui, elas tem sim diversas preocupações, mas são também personagens super empoderadas, donas de si e fazem de Alguém Especial, um filme autêntico e adorável com cara que estrearia em algum festival de cinema menor como Sundance ou o SXSW.

O longa tem um elenco com rostos conhecidos, liderados pela talentosa Gina Rodriguez, uma história contada fora dos padrões tradicionais de comédia romântica, e ainda consegue fazer um retrato bem peculiar da geração millenium, e também, sobre viver na cidade de Nova York.

Assim, Alguém Especial se revela uma surpresa inesperada e divertida na Netflix, ao entregar um filme intenso sobre as relações entre três amigas na faixa dos pré-30 anos, Jenny (Rodriguez, fora da caixinha), Erin (DeWanda Wise, uma revelação) e Blair (Brittany Snow, esforçada), onde, aos poucos vemos, bem devagar, ao longo do filme, o trio abrir seus segredos, medos, anseios e expectativas sobre a vida adulta, relacionamentos, e principalmente, sobre se encontrar num mundo cada vez mais tecnológico, superficial e corrido.

A trilha sonora escolhida a dedo, as participações especiais (Ru Paul Charles! Rosario Dawson!) ajudam a deixar Alguém Especial, menos denso, mais bem humorado, mesmo que o filme acabe por circular e circular num fiapo de trama, e no final demore para chegar em algum lugar. Parece que vemos dois filmes diferentes, um triste e melancólico que envolve o termino de Jenny com o namorado Nate (LaKeith Stanfield) e outro um típico A Viagem das Garotas (2017), ou um Missão Madrinha de Casamento (2011) mais light.

O mais interessante sobre Alguém Especial, é que a roteirista e diretora Jennifer Kaytin Robinson consegue transmitir uma visão quase única, pessoal e irreverente de três amigas com personalidades completamente diferentes entre si, mas que buscam, exatamente as mesmas coisas, viver, amar e serem amadas. Alguém Especial pode ser descrito como um Sex And The City moderno e com bastante uso de drogas ilícitas.

Assim, Robinson entrega personagens complexas e super humanizadas que vivem como boas nova-iorquinas, correndo loucamente no ritmo da cidade, onde Alguém Especial, usa tradicionais locações para fazer com que NYC seja presente na vida das meninas e na trama, com cenas no metrô, em lojas de conveniência e parques.

Ao embarcarem numa corrida para aproveitarem uma última aventura na cidade juntas, o trio vai atrás de pulseiras VIP para um evento, e então, o longa, ao mesmo tempo, mostra que elas precisam resolver seus problemas, tanto profissionais, quanto pessoais, alguns mais graves, como medo de comprometimento, e outros mais supérfluos, qual será o look da festa?, mas que acabam por dar uma certa sustância para a história e movimentar a trama.

No final, Alguém Especial, tenta algo de novo, mas entrega um típico romance açucarado com situações clichês e dentro do esperado, mas o talento do trio de protagonistas acaba por compensar quase todos esses problemas. Estamos obcecados por elas.

Nota do Crítico:

Alguém Especial já disponível na Netflix.

Miguel Morales

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