Alguém Como Eu | Crítica

Alguém Como Eu (2018) é a típica comédia romântica água com açúcar que tem dois protagonistas com “problemas” que não são assim tão bem problemas graves mas situações que todas as pessoas vivem dentro e fora de relacionamentos.

No final tudo isso até que acaba entregando uma história simpática, mesmo que fraca e sem muitas reviravoltas junto com um gostosa trilha sonora e ótimas paisagens.

Foto: Downtown Filmes

O destaque nesse longa nacional fica com Paolla Oliveira que sai um pouco de sua zona de conforto do novelão e faz uma protagonista mesmo que às vezes cansativa, engraçada. A atriz explora sua veia cômica e no melhor estilo Rachel McAdams, em A Noite do Jogo (2018), faz o filme funcionar com seu charme, naturalidade e entrega uma atuação diferente do que já vimos por ai.

A trama de Alguém Como Eu, segue o melhor estilo de Se Eu Fosse Você (2006) com Sexta-Feira Muito Louca (2003) e mostra uma publicitária chamada Helena (Oliveira) que vive uma crise existencial e parte para Portugal tentar se reencontrar na vida. Porém, ela, que é super controladora, tem contra si o destino e topa com um corretor de seguros português, chamado Alex (Ricardo Pereira) no melhor estilo garota-encontra-garoto figurinha carimbada dos filmes do gênero.  Assim, os dois começam a namorar e vivem felizes para sempre, certo?

Não, em Alguém Como Eu mesmo que inundado de cenas clichês de comédias românticas, a história não para por aí. Em uma tentativa de sair do lugar comum, o roteiro do trio Pedro VarelaTatiana Maciel e Adriana Falcão infelizmente não sabe para onde focar, atira para todos os lados e inclui situações que acabam deixando o filme como uma grande colcha de retalhos.

Helena que já vive uma crise no seu relacionamento com Alex mesmo tendo começado a namorar tem poucos meses, deseja que ele seja mais como ela e então num piscar de olhos da personagem o Alex vira, a Alex, mudando completamente a dinâmica do filme de romance para cômica pastelona. O filme não se preocupa em tentar explicar o motivo da mudança, assim como foi Duas de Mim (2017), apenas assume o evento dentro da trama mas não sabe aproveitar os momentos de troca de personagens para introduzir cenas mais cômicas com a situação e entrega essa passagem de uma forma apressada e rápida.

Foto: Downton Filmes

Os personagens até são bem desenvolvidos, quer dizer, há uma tentativa de mostrar que eles começaram o filme de um jeito e terminaram de outro e isso acaba sendo um ponto positivo para a trama. Mesmo que os coadjuvantes como Julia Rabello e Arlindo Lopes só sirvam para serem os amigos chaveiros da personagem de Paolla Oliveira e fazer que todas as falas envolvam a discussão do relacionamento da amiga protagonista. No final, acaba um desperdício no talento de Rabelo que tem boas e curtas passagens no longa.

Outro momento que acaba não sendo muito bem utilizado é todo o potencial de explorar as diferenças entre Portugal e Brasil, com piadas sobre os trejeitos e as diferenças do idioma. Isso tudo até acontece no filme mas muito pouco é explorado, o que acaba sendo uma outra parte desperdiçada pela produção. O filme compensa com um charme vindo das cenas rodadas em Lisboa que ajudam o filme a passar um visual bacana e as tomadas tanto áreas quando no chão são bem feitas.

Alguém Como Eu até tenta entregar alguma coisa diferente, mas nem os sorrisos matadores da dupla Oliveira e Pereira ajudam o filme. É como se tudo fosse apenas pincelado na superfície, é muito superficial e realmente pouco trabalhado. No final é tudo muito raso e o filme acaba ficando uma comédia romântica como aquelas protagonizadas por Katherine Heigl, quando sua janela em Hollywood estava fechando, que tentam falar de tudo e no final realmente não falam de nada do que se importa quando se busca um filme com essa temática.

Uma pena.

Nota do Crítico:

Alguém Como Eu já se encontra em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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