Aladdin | Crítica

“Eu lhe ensino a ver todo encanto e beleza” As sábias palavras do trecho de “Um Mundo Ideal” – música vencedora do Oscar de Melhor Canção Original em 1993 que marcou a animação Aladdin – meio que definem a corajosa empreitada da Walt Disney Pictures para versão de 2019, dessa vez em live-action.

Assim, o Aladdin de 2019 faz uma deslumbrante e divertida aventura, onde o espectador embarca em um tapete mágico para um adorável, colorido e empolgante novo mundo, em que os produtores ainda conseguem honrar e fazer uma bela homenagem para a animação clássica.

Aladdin – Crítica | Foto: Walt Disney Pictures

Toda ambientação que cerca o filme e é apresentada com a música “Arabian Nights“, entrega uma bela nostalgia para filme, que tem um tom bem anos 90, e com todo DNA de Guy Ritchie. Assim, Aladdin, tem cenas mega ágeis, embaladas pela música “One Jump Ahead“, com perseguições pelo mercado de Agrabah, com saltos e piruetas, onde a direção de Ritchie ainda tem tempo de explorar tomadas que dão close no rosto dos personagens para mostrar suas expressões com tudo aquilo.

O maior mérito de Aladdin, talvez, seja conseguir entregar um drama que dá mais profundidade para os personagens que foram apresentados lá na animação, onde meio que o roteiro de John August e Ritchie faz isso com bastante tempo para gastar, afinal, a versão de 2019 ganha alguns bons minutos à mais que a versão em animação.

Assim, Aladdin consegue utilizar seus atores para desenvolver e justificar algumas das ações de seus personagens ao longo do filme. E falando em atores, a Disney acertou a mão ao apostar em figuras pouco conhecidas para o casal principal. Mena Massoud acaba por ser uma revelação e Naomi Scott faz maravilhosa atualização para a icônica Princesa.

Como Aladdin e Jasmine, Massoud e Scott esbanjam uma química enorme, onde vemos as faíscas entre os dois rolarem em tela, em que a dupla entrega uma das cenas mais bonitas e românticas da história da Disney, dessa vez em carne, osso e tapete mágico, ao som de “A Whole New World“.

Mas, claro, no Aladdin de 2019, igual na animação de 1992, o show é do personagem do carismático Gênio. Aqui, Will Smith segue os passos do falecido Robin Willians, rouba todas as atenção como a figura azul mágica, onde claramente ator acaba por a alma do filme, mesmo envolvido com efeitos especiais um pouco complicados de se olhar por muitos minutos.

Will Smith and Mena Massoud in Aladdin (2019)
Aladdin – Crítica | Foto: Disney

Assim, como falamos, o roteiro aqui se preocupa para dar camadas para os personagens, e trabalha para mostrar, por exemplo, que Aladdin teve todas as chances de escolher seus três desejos para benefício próprio, ou para dar uma trama mais robusta para Jasmine, e ainda mostrar e indagar o motivo pelo qual, a jovem precisaria casar com um Príncipe, e o motivo dela em não poder assumir o trono de Agrabah. E claro, Aladdin, ainda tem espaço para trabalhar um pouco também, o vilanesco Jafar, mesmo que no filme, o personagem seja o elo mais fraco. Por mais caricato que Marwan Kenzari possa parecer no começo, é possível embarcar na trama, e ver que Jafar ganha motivações mais substanciais do que apenas querer poder a qualquer custo. 

O roteiro de Aladdin, ao fazer isso, claro, cria mais sub-tramas para o filme, o que deixa a produção com um sentimento um pouco cansativo, afinal ao fazer isso, os roteiristas precisam correr (num tapete mágico!) para aparar todas as pontas soltas e finalizar a história, mesmo que já sabemos como ela termina.

Mas, pelo lado positivo, ao fazer isso, Aladdin, consegue trabalhar melhor essas novidades que diferem da animação, principalmente ao incluir novos novos personagens na história, como a dama de companhia Dalia (a ótima Nasim Pedrad), o guarda real Hakim (Numan Acar), e ainda conseguir trabalhar a figura do Gênio, em sua forma humana, coisa que dá uma folga para o pessoal dos efeitos visuais.

E tecnicamente falando, Aladdin mesmo ao derrapar um pouco com a parte mágica, faz um filme com uma fotógrafa encantadora, com figurinos caprichados e que acerta ao criar uma Agrabah como se fosse uma flor escondida no meio do deserto, uma cidade portuária que mescla o deserto com o mar formando um visual que é compensado com tomadas áreas que dão um senso de escala gigante para depois focar nas cenas mais íntimas dentro dos cômodos do palácio, é a frase “Poderes cósmicos fenomenais, dentro de uma lâmpadazinha”, aplicada pela produção filme.

Com uma trilha sonora sem igual e com músicas regravadas e criadas exclusivamente para o filme, no final, Aladdin acaba por ser o espetáculo da Broadway dentro da tela do cinema. Assim, o filme apela para uma nostalgia gigante e deliciosa ao transportar uma história envolvente e cheio de personagens cativantes num dos grandes acertos da Disney, desde que começou a adaptar suas animações clássicas para filmes em live action. Aladdin entrega uma aventura musical que não pode ser perdida, feita para cantar junto e se emocionar, numa grata surpresa de 2019.

Nota do Crítico:

Aladdin chega nos cinemas em 23 de maio.

Miguel Morales

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