A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell | Crítica

Hollywood segue com duas frentes bastante lucrativas em suas produções, sendo uma delas a onda de reboots e remakes e a outra de adaptação de livros para o cinema, que tem seus momentos e quase sempre tem dado certo em termos de lançamento de novos filmes e franquias. Assim, com A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell (Ghost in the Shell, 2017) temos uma história adaptada de um mangá (temos resenha dele aqui), em vez de um livro, ou uma história em quadrinho.

Lançado na década de 90, acompanhamos Major Mira uma agente aperfeiçoada ciberneticamente que é a líder de uma força-tarefa chamada Seção 9 que tem como principal função combater crimes usando a tecnologia.

A Vigilante do Amanhã
Foto: Paramount Pictures

Assim, logo nos primeiros minutos somos inundados com um mundo completamente tecnológico onde vemos robôs e humanos interagindo juntos. Com uma ótima atuação de Scarlett Johansson, que foi bem trabalhada, cheia de nuances e bastante minuciosa e certeira, Major é a primeira de sua espécie. Ela foi melhorada ciberneticamente ganhando funções para exercer uma atividade policial. Criada pela cientista Dra. Ouelet (a atriz Juliette Binoche que na sua atuação consegue mostrar uma personagem bastante humanizada, complexa e cheia de conflitos internos, mesmo com pouco de tempo de tela) que trabalha na empresa HANKA Robotics sobe o comando do Presidente Cutter (um calmo Peter Ferdinando), Major tem sua mente, sua alma conectada a um corpo robótico.  Assim ela usa suas novas habilidades para junto com sua equipe formar um time que combate os avanços de crimes tecnológicos e cibernéticos. O problema é que ela sempre está se sentindo que não pertence ao mundo que vive e começa a questionar tudo que a cerca depois de começar a aparecer falhas no seu código. Junto a isso somos apresentados a um grupo que está querendo derrubar executivos da empresa de tecnologia e são liderados pelo misterioso Kuze (um excelente Michael Pitt). 

A trama do filme é bem simples e conta bastante com o clássico história de origem e não foge dos temas típicos de produções sobre o tema de tecnologia versus humanos. Os tópicos estão lá presentes desde os conflitos dos robôs em não serem parte do mundo dos humanos até o objetivo das empresas em ganharem dinheiro com a criação e desenvolvimentos dos códigos para a criação dos projetos de aperfeiçoamento para os humanos e até onde se pode ir nesse complexo de Deus.

O filme mostra brevemente como que humanos lidam isso e até faz piada com o fato de um dos policiais querer um novo fígado para poder beber mais. O pouco do drama explorado fica com a personagem de Johansson onde mostra ela em sua busca pelo seu passado e o motivo dos lapsos na sua programação. Outro personagem que ganha um pouco mais de profundidade e tem uma trama de descoberta parecida é o membro da Sessão 9 e parceiro da Major, Batou (interpretado pelo ator Pilou Asbæk que entrega o que é necessário para seu personagem e faz sua participação pequena um grande destaque). A sub-trama dele é criada e finalizada ao longo do filme deixando o personagem de lado para focar nos acontecimentos e descobertas de Major e claro com todo o plot envolvendo o tal personagem misterioso Kuze e suas motivações e interesses na Hanka e em Major.

O roteiro de Jamie Moss e William Wheeler sabe apresentar bem os personagens secundários mesmo sem dar muitas funções e trama complexas a todos eles. A maioria está lá para orbitar em volta de Scarlett Johansson.

A Vigilante do Amanhã
Foto: Paramount Pictures

O grande aliado e trunfo do filme é claro os efeitos especiais. A produção é visualmente fantástica e os detalhes são muito bem pensados e executados. As pequenas coisas desde do ligamento da mão da parte dos robôs, até o visual e roupas dos personagens, tendo como destaque a roupa de Major com o traje de invisibilidade, ganham e elevam o tom do filme para um novo patamar. A ambientação passando pelos neons, as luzes com cores claras, os hologramas e imagens virtuais são um prazer para acompanhar, observar e procurar cada detalhe tanto visível quando aqueles mais escondidos. As cenas de lutas, principalmente da já tradicional na água são também um dos grandes destaques do filme.

Assim A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell tem seus méritos em criar um filme robusto com uma história não muito inovadora, mas que se garante em termos de atuação principalmente de Johansson e se garante nos efeitos especiais, onde podemos ver o grande cuidado nos detalhes. O filme falha em não criar uma trama mais complexa e mais fechada talvez pelo fato de ser um filme introdutório e que claramente já se percebe que sequências virão. O que importa claro é a sensação de que mesmo vendo o filme de maneira isolada ele consegue contar sua história, apresentar seus personagens e garantir um bom divertimento.

Nota do Crítico:

A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell estreia em 30 de março.