A Vida Em Si | Crítica

Dan Fogelman tem conquistado boa parte do público com a dramática This Is Us, série que conta histórias de pessoas que fazem parte de uma mesma família já há algumas temporadas. O produtor também tem agradado a imprensa que elogia bastante a produção mas ele se beneficia, principalmente, por conta de o programa dar uma boa audiência no disputa mercado da Tv aberta americana.

E quando A Vida Em Si (Life Itself, 2018) foi anunciado, o projeto impressionou por conta de envolver grandes nomes de Hollywood. Mas aqui, temos que levar em questão que por mais que as produções de TV tenham avançando tanto em ritmo de roteiro, quanto de escalações de atores e atrizes que migram de projetos da telona para a telinha (não importa mais se é TV ou streaming) e até mesmo ponderar em termos de orçamento disponíveis, temos que entender também que as plataformas ainda são coisas bastante diferentes.

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Foto: Amazon Studios/Paris FIlmes

E A Vida Em Si tem esse problema, o filme conta uma interligada história que poderia ser muito bem uma minissérie ou vários pequenos filmes para TV. Assim, não é que a produção não seja boa, pelo ao contrário, A Vida Em Si faz um filme triste, intenso, com um texto provocador de Fogelman que acaba por ser exatamente como a vida em si efetivamente mas faz um filme cheio de altos e baixos, com momentos bons e momentos ruins.

O maior ponto que a produção falha nem é pelo fato “ser feita para emocionar de propósito” e sim em parecer não acreditar na inteligência do espectador ao contar a história de seus personagens. A Vida Em Si, é contada por atos, que focam exclusivamente em um personagem de cada vez. É como se o roteiro de Dan Fogelman (que também dirige o longa) colocasse uma lupa em um deles, cada um de uma vez, mas deixa nas bordas as tramas secundárias acontecerem e meio que atrapalharem a jornada de todos.

Os primeiros momentos são um pouco estranhos, nada convencionais e utilizam uma linguagem quase pretensiosa com o espectador para contar a história de Will (Oscar Issac) e sua esposa Abby (Olivia Wild), onde o ator faz uma atuação excelente e cativante que se destaca numa grande lista de nomes conhecidos em Hollywood.

Mas depois de apresentar seus personagens, A Vida Em Si fica marcado por ser um filme cheio de viradas tensas de roteiro, mudanças bruscas em sua narrativa e sofre com uma trama irregular que não se preocupa muito quando desaparece e reaparece com seus personagens.

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Foto: Amazon Studios/Paris FIlmes

E mesmo com tomadas em plano-sequência bem bacanas e locações ao longo do mundo que vão da Espanha até Nova York, o filme tenta de todas as formas meio que ser igual um livro (ou uma tese de mestrado!), onde vemos capítulos e passagens na vida dessas pessoas, passaram de uma forma rápida e sem linearidade.

Mesmo assim, em A Vida Em Si, não há pequenos papeis, todos os atores, desde Annette Bening como uma terapeuta, Antonio Banderas como um fazendeiro e Olivia Cooke como uma jovem rebelde estão ali com uma função específica na trama. Na produção todos são como membros de um grande círculo (da vida), mesmo que às vezes, as coincidências apresentadas por Fogelman sejam um pouco exageradas e completamente previsíveis.

No final, a produção se salva com uma mensagem bacana sobre superações, amores e luto onde A Vida Em Si, faz um filme que emociona, tem boas atuações mas também acaba por ser cansativo com seus momentos que são forçadamente interligados num mar de auto-referências e metalinguagem.

Nota do Crítico:

A Vida em Si tem sessões no Festival De Cinema do Rio e previsão de estrear nos cinemas brasileiros em 6 de Dezembro

Miguel Morales

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