A Viagem de Fanny | Crítica

No filme francês, A Viagem de Fanny (Le Voyage de Fanny, 2017) conhecemos uma história interessante de um grupo de crianças que foge da guerra e precisam lutar sozinhas num mundo de adultos para sobreviverem. A trama do filme é simples, nada muito mirabolante e começa com o espectador conhecendo a jovem Fanny (Léonie Souchaud) que tem uma personalidade forte e marcante mesmo tendo apenas 12 anos. Mesmo super jovem a menina judia tem que lidar com as duas irmãs mais novas pois elas estão escondidas dos soldados alemães em uma França já ocupada.

Assim, o plano é que Fanny e as outras crianças cruzem o país para chegar na Suíça, um país que ficou neutro na guerra e abriga os refugiados que conseguem chegar lá. Mas claro que os perigos para os judeus de serem pegos e mandados para os campos de concentração eram muito altos e mesmo com a ajuda de pessoas, como a Sra. Forman (Cecile de France) que escondiam e abrigavam os outros em suas casas, todos eles estava em perigo.

Um dos acertos da produção é deixar o clima do filme super leve em relação a temática de outros filmes do holocausto. Afinal Fanny e as crianças parecem não entender muito bem o que está acontecendo no mundo e claro em situações mais complicadas choram e dizem que querem ir para casa com os pais. O personagem de Victor (Ryan Brodie) é um dos que está mais ligado nos problemas que podem enfrentar na jornada. O filme é bem auto-explicativo sobre a ambientação das crianças, para onde eles estão indo a cada momento e a trama flui de uma maneira tranquila e com poucos rodeios.

Foto: Mares Filmes

Com momentos de pura descontração, cheio da inocência e bem bonitos ele consegue mesclar tudo isso com cenas mais dramáticas com um perigo ali sempre constante. Uma das mais belas passagens do filme é onde as crianças estão fugindo dos soldados alemães, elas vem as notas de dinheiro voando por uma colina e para resgata-las, elas começam a brincar o “Jogo das Notas” e depois a cena corta para um das falando “esse jogo foi divertido, podemos brincar novamente?” até que os soldados as encontram e eles tem que se esconder rapidamente dando um ar de mistério e suspense de se vai acontecer a captura delas ou não. Uma bela contra posição de cenas que o filme faz muito e caminha nessa troca de momentos até o seu final.

Baseado numa história real, o longa pode, claro ter dado uma romantizada em algumas situações mas não deixa de ser bastante dramático em certos pontos e as atuações infantis estão muito boas. Com destaque para sua atriz principal que mostra uma doçura sem tamanho com olhos expressivos e atua de forma muito natural e espontânea. As paisagens não são tão bonitas e focam um pouco mais em aparentar um visual mais escuro e mais marrom para dar um contraste com as empolgações das crianças.

A Viagem de Fanny mostra boas atuações infantis para uma história que acaba meio que deixando o ar denso e pesado da Guerra de lado para contar a trama de um grupo de crianças que precisa escapar de uma ameaça iminente que as fazem crescer de forma muito rápida sem deixar muitas escolhas! Um filme interessante sobre um tema importante.

Nota do Crítico:

A Viagem de Fanny chega aos cinemas em 10 de Agosto.