A Torre Negra | Crítica

Quando falamos de adaptações literárias, temos sempre que levar em consideração uma seguinte premissa: livro é livro, filme é filme. Mas parece que os produtores de A Torre Negra (The Dark Tower, 2017) não tiveram essa divisão em mente. Baseado nas obras de Stephen King, o longa sofre com uma grande falta de ritmo, talvez pelo fato, de tentar agradar mais os fãs do autor do que qualquer outra coisa.

Mas para o grande público, que talvez possa não ter lido os livros, são 7 volumes no total, o filme serve como uma grande introdução a esse mundo e tem seus acertos e erros a medida que ele se desenvolve. Não deixando as coisas serem apresentadas de forma clara, o filme sofre com uma tremenda falta de ritmo, mas compensa com o talento de seus dois atores principais.

Foto: Sony Pictures

Em A Torre Negra, logo de cara, conhecemos o misterioso personagem de Matthew McConaughey, Homem de Preto, e sabemos bem rapidamente suas motivações nos primeiros minutos do longa: ele quer derrubar uma Torre e precisa da ajuda de crianças para realizar esse feito. Mas qual o motivo dele quer isso? O que significa essa Torre? Para que ele precisa de crianças? Perguntas que deixam essa primeira parte até que bem interessente.

Assim, a medida que o filme avança somos apresentados aos pistoleiros, um grupo de pessoas que são destinados a defender a já citada Torre que descobrimos ser um prédio mágico que fica no centro de todos os infinitos mundos do universo e impede forças do mal de entrarem neles. O último pistoleiro vivo é Roland Deschain (Idris Elba) que promete defender a Torre com sua vida, impedir que ela caia e a escuridão domine.

Depois que os dois protagonistas são apresentados o filme falha em criar boas sequências e ao mostrar a história com as tramas separadas dos dois personagens, faz com que as tramas sejam desenvolvidas e contadas em prestações e logo começam a pipocar rápidas passagens entre um e outro como se literalmente estivemos dentro de um livro e avançássemos a trama por capítulos o que deixa a narrativa dele bem travada e nem um pouco fluida. Uma das grandes falhas da produção é que ao mostrar suas cenas o filme fica em um zig-zag infinito, trocando de trama com uma rapidez enorme.

A disposição e a quantidade de informações que são apresentadas é de deixar qualquer um confuso, afinal, quando você termina de assimilar aquilo que foi passado, o filme fica te joga para uma sequência, uma vez focando no Pistoleiro, outra no Homem de Preto num pingpong eterno. Até que o roteiro inclui uma nova parte, a do menino Jake Chambers na trama e ai a edição de A Torre Negra consegue deixar o filme ainda pior.

O personagem do ator Tom Taylor começa a ter pesadelos estranhos sobre os personagens adultos que não vivem na mesma dimensão que ele e começamos a ver como suas visões se relacionam aos terremotos que atingem a cidade de Nova York. Claro, que descobrimos que eles tem haver com as tentativas do Homem de Preto em derrubar a Torre e aqui o roteiro deixa a trama bem amarrada e bem explicada. A história do menino é um pouco desenvolvida, vemos a ambientação para tentarmos entender o motivo dele em ir atrás das visões mesmo sua mãe e padrasto achando que ele tenha pirado. O filme acerta em conseguir explicar a ligação dos outros mundos com o nosso.

Elba tem algumas boas falas mas não chega a ser o grande destaque do filme mesmo com uma ótima atuação. As suas interações com outros personagens são bem bacanas, principalmente, quando Roland chega ao nosso mundo, chamado de Keystone Earth, é como ver criança provando sorvete pela primeira vez, ele consegue misturar surpresa, com curiosidade e seu personagem fica mais natural e consegue se conectar com quem assiste mesmo que a trama do Pistoleiro não seja muito aprofundada. Mas como a história de nenhum outro personagem é, o filme já começa com a sensação que pegamos a trama no meio caminho.

Foto: Sony Pictures

 McConaughey consegue não ultrapassar a linha tênue de ser um completo canastrão mas faz um ótimo personagem e entrega uma atuação bem interessante sobre seu vilão mesmo que novamente não tenha aquela complexidade que seu papel exija. O ator faz um Homem de Preto bem misterioso, confortável e sem medo de arriscar tudo para atingir seu objetivo. Agora, o ator mirim Taylor, precisa agradecer seu agente, pois numa temporada onde atores jovens se destacam em diversas produções desde de Anya Taylor-Joy em Fragmentado (2017) e até mesmo Dafne Keen em Logan (2017) o ator faz um personagem meio caricato, com trejeitos estranhos e passa a sensação de bastante incomodo em tela. Quando está com outros colegas em cena ele parece dar uma melhorada mas ainda sim é uma das partes mais difíceis do filme.

Com um problema de arrumação de cenas e uma edição não muito boa, A Torre Negra é um filme somente ok. Parece que a mesma equipe que trabalhou em Esquadrão Suicida (2016) veio aqui realizar esse trabalho e deixar o filme com um ar bem estranho em termos de narrativa. Mas alguns dos efeitos especiais são muito bem feitos e trabalhados principalmente quando envolve os poderes do Homem de Preto. Toda a criação dos monstros lembram muito as passagens de Stranger Things (Netflix) e seu Mundo Invertido e na luta final entre os personagens de Elba e McConaughey o filme faz uma das mais bacanas cenas de disputa entre personagens do ano, com tiros, lutas e vidros espalhados por ai.

Concluindo, nem o talento de seus atores experientes consegue salvar o filme que parece ficar preso no seu outro formato e fica a impressão que não houve a preocupação de um trabalho um pouco mais cuidadoso. Claro, que ele se preocupa em colocar algumas pistas sobre outros trabalhos de Stephen King, você pode ler nosso texto com easter-egg do filme aqui mas falha em não criar uma história mais robusta para esse filme logo de cara. A Torre Negra é um bom divertimento, com boas atuações e efeitos visuais até que interessantes mas não se esforça em ser mais que isso. Uma pena.

Nota do Crítico:

A Torre Negra, estreia em 24 de agosto nos cinemas!