A Sereia: Lago dos Mortos | Crítica

De maneira geral, A Sereia: Lago dos Mortos (Rusalka: Ozero myortvykh, 2018), é como se o canto da criatura mística soasse, em vez de uma bela e atraente melodia, mais como um grito agudo, daqueles altos, estridentes e que desperta quem assiste, de um sonho, só que assustadoramente ruim.

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A Sereia: Lago dos Mortos – Crítica | Foto: Paris Filmes

O roteiro do trio Natalya Dubovaya, Ivan Kapitonov e Svyatoslav Podgaevskiy é uma daquelas confusões homéricas que não decide para qual caminho seguir. Aqui, o longa não sabe, se tenta ser um terror de casa abandonada, um suspense com figuras encapetadas, ou um drama familiar, triste e melancólico. E na dúvida, faz um mix dos três, e erra em todos os sentidos.

As aparições da temida sereia são marcadas por momentos desinteressantes e que não são nem assustadores, nem horripilantes, e sim pavorosos de tão mal feitos e apresentados. Nem o batido recurso do jump scare, uma das poucas táticas que o filme utiliza, ajudam a produção, onde as passagens são previsíveis por demais, até o último fio do longo cabelo da sereia, onde algumas delas chegam a serem completamente maçantes.

Em A Sereia: Lago dos Mortos, pouca coisa se salva, talvez apenas, a ambientação escura, e no clima sombrio, mas só, as atuações, nem dos protagonistas, nem do elenco de apoio ajudam. A chamada mocinha, Marina, a russa Viktoriya Agalakova parece ter saído de um teste para Malhação e caído de supetão no longa. Já, o protagonista, o ator Efim Petruniun, como o namorado corajoso Roman Kitaev, até tenta, mas é como se a sereia roubasse sua voz e o  impedisse que o ator saísse do seu feitiço e entregasse alguma coisa interessante.

Convenhamos, também, que o roteiro de A Sereia: Lago dos Mortos, também, não dá muita chance para os atores trabalharem. O texto pinta todos eles, como figuras unilaterais, sem carisma ou profundidade, e como num típico filme de terror b trash, todos os personagens acabam por tomar decisões estupidamente não convincentes, tudo para a narrativa acontecer.

A maquiagem que cobre a atriz Sofia Shidlovskaya, que interpreta a Sereia, é extremamente mal feita, e nas cenas de flashback, onde a atriz aparece de cara limpa, como uma jovem camponesa em busca do amor, apenas parece que a russa não sabe muito para onde ir.

Viktoriya Agalakova in Rusalka: Ozero myortvykh (2018)
A Sereia: Lago dos Mortos – Crítica | Foto: Paris Filmes

Na história, uma terrível sereia, se apaixona por Kitaev, o noivo de Marina, após eles irem passar um final de semana no cabana à beira do lago, que família do rapaz possui. Assim, ao se verem presos nesse triângulo amoroso perigoso, o garoto fica preso no feitiço da criatura, como um zumbi, e a garota precisa fazer tudo para libera o noivo das garras da criatura, antes que os dois fiquem presos embaixo d’água pela sereia vingativa.

A caça para uma maneira de derrotar a sereia, parece uma prova do líder de reality show, cansativa e quase besta, onde todas as respostas, desde um espelho até um penteador de cabelos, parece estar à frente dos personagens, onde, claramente, o roteiro estica as situações para dar uma encorpada para o filme.

A trama, de A Sereia: Lago dos Mortos, une uma forte mitologia russa com detalhes dos passados dos personagens principais, mas todas as viradas no roteiro, são previsíveis e apressadas, e não acertam em nada, ao criar um clima de suspense necessário para o espectador se envolver com a trama. Tudo é muito simplório e cru, principalmente os efeitos especiais, que parecem ser uma produção de TV aberta sem orçamento adequado.

Assim, é como se a sereia viesse para a superfície, sem saber o que quer ser e cansa o espectador com uma trama afundada numa forte de história folclórica, que apenas bate sua cauda, freneticamente, onde A Sereia: Lago dos Mortos tenta desenrolar sua história sem muita empolgação, nem mesmo pelos poucos sustos. Então, avisamos, ao nadar marujo, cuidado com a sereia.

Nota do Crítico:

Nota do Público:
| Total: 2 | Média: 1.5

A Sereia – Lago dos Mortos chega em 31 de Janeiro nos cinemas.

Miguel Morales

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