A Múmia | Crítica

Temos que admitir que a Universal Pictures teve uma sacada interessante ao desenvolver bem discretamente o filme A Múmia (The Mummy, 2017) como um projeto isolado para depois semanas antes de sua estreia divulgar que a produção seria parte de um Universo maior e compartilhado de monstros. Ao trabalhar de um jeito invertido do que a Warner Bros fez com Animais Fantásticos, o estúdio teve a sacada de criar uma franquia de filmes para garantir um pedaço da fatia de bilheteria das franquias de super-heróis numa tentativa de buscar uma nova saga para chamar de sua e que possa lhe render bilhões de dólares como os filmes de Velozes e Furiosos. 

Então a Universal começa a trabalhar sua idéia ao chamar um dos rostos mais conhecidos de Hollywood, Tom Cruise que andou um pouco sumido dos filmes talvez principalmente por conta da sua vida pessoal, para dar um ponta pé nessa franquia. Mas em um mundo cada vez conectado e mais globalizado onde os lançamentos de cinema ocorrem quase na mesma época uma premissa é fato: Cruise ainda atraí o público e garante bons resultados principalmente nos mercados internacionais.

A idéia é criativa? Não muito, mas é bem ousada. Vai dar certo? Talvez, pois o primeiro longa tem um certo apelo, e é assim digamos um filme esforçado. Mas será que isso basta hoje em dia?

A Múmia
Foto: Universal Pictures

Em A Múmia, fica bem claro a intenção do diretor Alex Kurtzman de fazer um filme que serve para ambientar o espectador nesse novo mundo. Ele se passa nos dias atuais onde temos organizações secretas e monstros vivendo entre nós para contar a história antiga da Princesa Ahmanet (Sofia Boutella) que foi varrida dos registros históricos depois de uma série de eventos no Egito antigo que a levou a ser mumificada.

O roteiro de Jon Spaihts mesmo simples e até um pouco didático sabe bem apresentar a origem da personagem e intercalar com o restante dos outros personagens que também estão sendo apresentados pela primeira vez nesse filme. Obviamente, o tecido acaba caindo no rosto do filme e ele dá umas tropeçadas mas é uma coisa que no final não atrapalha a diversão afinal a produção tem outras sacadas escondidas no seu sarcófago.

Mas o que acaba atrapalhando o filme em si é a falta de uma ameaça maior e que gere um sentimento de angustia e desespero, afinal o terror que a vilã faz é mais psicológico o que torna uma saída comida e fácil. A própria produção já avisa que é o começo de tudo e meio que coloca a principal vilã como se fosse a liga junior em campo, ou café-com-leite. A Múmia, o filme, é só uma parte do pano que cobre a múmia, a personagem e chega não desenrolar suas camadas de tecido totalmente nesse longa. Uma falha bem recorrente ultimamente nos filmes que sempre são parte 1 de 5 visando claro competir com as séries de TV.

As duas coisas que se destacam na produção são os efeitos especiais, desde da cena do ataque no avião até os efeitos na própria personagem título e do seu exercito de mortos-vivos. E claro a desenvoltura de Tom Cruise nesse papel, ele um bom desenvolvimento de tela com todos os personagens e Nick Morton é típico novo herói aquele que às vezes você torce por ele outras horas não, numa mistura de Senhor das Estrelas com Han Solo onde ele flerta, rouba e que tem idéias brilhantes e impossíveis ao mesmo tempo.

A múmia
Foto: Universal Pictures

O maioria do elenco também parece bem confortável no papel, Russell Crowe entrega um boa atuação e mostra dois personagens em um como o Dr. Jekyll e realmente consegue começar a esboçar um pouco de complexidade ao papel sendo aquele famoso personagem sábio que acaba por trazer certos questionamentos como o bom vs mal. Mesmo não tendo um grande desenvolvimento o personagem carrega um ar de mistério bem interessante.

 Sofia Boutella e Jake Johnson, são as grandes surpresas da produção, ela por conseguir trabalhar bem suas expressões tanto faciais quanto corporais mesmo estando coberta com maquiagens e bandanas e ele pelo seu timing cômico que mudam completamente a cara do filme deixando ele mais leve e divertido. A falha fica com a personagem de Annabelle Wallis, Jenny Halsey que não soube ser muito trabalhada e fica por diversas vezes rondando os personagens masculinos sem muita atividade depois de uma certa parte. 

Assim, A Múmia cumpre seu papel em ser um bom divertimento e pronto. Não é um filme que se leva a sério e ele mesmo sabe disso e consegue mesclar doses de humor com uma carismática atuação de Tom Cruise. Como uma tentativa de reproduzir um clássico do terror antigo o filme é um bom filme de ação e serve para todos os gostos com cenas de lutas, cenas de romance, uma trama de vingança e claro muita coisa explodindo e voando na tela (se você for assistir em 3D, claro).

Esse começo da franquia do Universo de Monstros deixa aquele sentimento de cade o próximo episódio? no que claramente seria uma produção televisiva muito cara mas que talvez desse para ter uma certa visão do todo maior do que esperar até o próximo filme sair, afinal os produtores precisam melhorar umas coisas ali e ali para sair de um filme bom para filme ótimo.

Nota do Crítico:

A Múmia estréia no Brasil em 8 de junho.