43ª Mostra SP | A Maratona de Brittany – Resenha

A Maratona de Brittany, filme vencedor do prêmio do público na última edição do Festival de Sundance 2019.

Sinopse:

A Maratona de Brittany conta a história da nova-iorquina Brittany Forgler (Jillian Bell). Aos 27 anos, com uma rotina festeira e relacionamentos tóxicos tomando conta da sua vida, Brittany é a melhor amiga de todos – exceto talvez dela mesma. Mas tudo muda quando ela passa por um consultório médico e recebe um diagnóstico que não esperava: precisa ficar saudável. Sem dinheiro para uma academia e orgulhosa demais para pedir ajuda, ela se vê obrigada a amarrar os tênis e correr um quarteirão suado. No dia seguinte, corre dois. E logo depois estabelece uma meta quase impensável: correr a maratona de Nova York.

O que achamos:

Um dos grandes destaques de Sundance em 2019, A Maratona de Brittany não faz por menos em entregar um filme que consegue captar tudo que tem sido falado, e propagado, nos últimos anos em termos de positividade: seja feliz com seu corpo, se aceite como você é, e claro, como se tornar a melhor versão de si mesmo.

Pegando carona na popularização de corridas de rua que invadiram o mundo, A Maratona de Brittany faz um desses filmes com uma cara simpática, e que a princípio parecem ser uma comédia romântica descontraída, mas aqui, se garante por um roteiro (escrito por Paul Downs Colaizzo que dirige o longa) completamente afiado, ágil e que não perde tempo para entregar falas e diálogos para lá de divertidos, e que ao mesmo tempo consegue falar, em alguns momentos, de assuntos sérios e importantes. 

O fato de A Maratona de Brittany nos mostrar, literalmente, a personagem em preparação para correr a Maratona de Nova York, vemos que o roteiro acerta ainda em desenvolver essa camada de ser um feel good movie, e consegue ultrapassar mais uma etapa, de ter apenas como pano de fundo a tal corrida, e assim, lida com temas muito mais profundos do que apresenta ser.

Temos Brittany (Bell, ótima) numa corrida interna em se aceitar como uma pessoa que pode ser amada, e não só no termo romântico da palavra, mas sim, em seu amor próprio, com seus amigos, e outros relacionamentos que cercam sua vida. O famoso ditado “se você não se amar, como você irá amar outra pessoa?” é levado a sério aqui, e assim, A Maratona de Brittany faz uma dolorida caminhada de auto descoberta para nossa protagonista, recheada de passagens divertidas, outras um pouco mais dramáticas, em que vemos a jovem passar ao longo dos meses que treina para o grande evento.

Mas, como o filme deixa bem claro, não é treinar para a corrida que como se fosse um passe de mágica os problemas de Brittany irão desaparecer, a garota precisa correr para para desbravar o seu eu interior, e assim, para conseguir se descobrir, e se aceitar como pessoa. 

No final, temos uma boa jornada de auto conhecimento, com um roteiro caprichado e que irá te fazer sentir diversas tipos de emoções. A Maratona de Brittany chega como uma filme despretensioso,  mas que te cativa, a todo momento, com sua protagonista cheia de problemas reais e humanos. 

Nota do Crítico:

A Maratona de Brittany chega em 24 de outubro nos cinemas.

Filme visto na 43ª Mostra Internacional de São Paulo.

Miguel Morales

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