A Mão Esquerda da Escuridão | Resenha

A Mão Esquerda da Escuridão é o tipo de livro que te faz refletir, e muito. E este é o fato que fez a ficção científica de Ursula K. Le Guin ganhar dois dos principais prêmios da categoria, o Hugo e o Nebula.

Em A Mão Esquerda da Escuridão, Le Guin nos apresenta a incursão do terráqueo Genry, representante homem da união dos 83 planetas, a Ecumênica, para descobrir mais sobre o Gether, ou como ficou conhecido, Inverno. O planeta é coberto de gelo e seus habitantes, o Gheterianos, são adaptados ao inverno constante, além de ter outras particularidades biológicas.

O livro mostra a saga de Genry na tentativa de convencer os líderes de Inverno a entrarem para a união dos planetas, e fazerem assim um tratado de comércio e troca de tecnologias. O problema é que ele se vê no meio de um abriga interna sobre a posse de um trecho onde dois países dizem ter direitos.

Correndo contra o tempo para fazer o tratado, a narrativa de Le Guin nos coloca entre a visão de Genry sobre os recentes acontecimentos e a forma com que ele encara o frio, a população, os sentimentos, e a visão de Estraven, o getheriano que recebeu Genry, e vê seu posto de ministro ser destituído e sua vida colocada de lado, tornando-se um nada, e se alguém o ajudasse seria morto.

A jornada dos dois atrás da verdade os mostra uma briga ainda mais confusa entre os dois reinados, Karhyde e Orgoreyn. Além disso, há descobertas dentro do próprio planeta, além de detalhar a forma diferente da fisiologia dos getherianos.

Le Guin intercala as vozes de Genry e Estraven com contos das primeiras pessoas que foram a Inverno e a estranheza com o frio, com a cultura, o sexo. Há um universo inteiro descrito, além de uma forma de contagem de tempo muito excêntrico e complicado, e que Le Guin coloca em detalhes no fim do livro.

A Mão Esquerda da Escuridão tem uma narrativa muito bem detalhada, o que pode gerar estranheza no começo, mas quando a leitura engrena, é impossível não “devorar” cada página do volume. Adentrar a forma como Le Guin trata o sexo dos getherianos é muito intensa e precisa abrir bem a mente para uma nova forma de ver o corpo, a pessoa, o sexo em si, e ela ainda coloca eles achando os seres de dois gêneros uma aberração.

Os getherianos tem um sexo, quando entram em um estado que precisam copular, um indivíduo pode ser macho ou fêmea, dependendo do seu parceiro e do contato com os hormônios do próximo, e ficam nesse estado por alguns dias até a cópula. O que virou macho volta ao estado único, enquanto a fêmea passa meses de gravidez e depois amamentação, para então voltar ao seu estado único. Assim, o mesmo indivíduo pode alternar com os dois sexos, dar a luz ou prover o sêmem.

Há inúmeros detalhes no livro, como monogamia, promessas, desertores, videntes e tudo mais, o que torna o prazer da leitura de A Mão Esquerda da Escuridão ainda mais interessante e intensa, uma verdadeira jornada de conhecimento e a busca por um tratado político.

A Mão Esquerda da Escuridão vale demais a leitura, um verdadeiro clássico da ficção científica lançado em 1967.

FICHA TÉCNICA

Título: A Mão Esquerda da Escuridão
Autor: Ursula K. Le Guin
Editora: Editora Aleph
Gênero:
 Ficção Científica
Páginas: 296
Formato: 20,8 x 13,7 x 1,5 cm
ISBN: 978-85-765-7184-1

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.