A Maldição da Chorona | Crítica

Mesmo com um título peculiar no Brasil, A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona, 2019) se garante e vem como um novo (e isolado!) filme da franquia Invocação do Mal. E se a Warner Bros Pictures tem um universo compartilhado para chamar de seu, é com esse mundo do terror The Conjuring que isso acontece.

A Maldição da Chorona entrega um capítulo à parte desse universo, como se fosse um apêndice que pega uma lenda super conhecida no México para incluir na vasta lista da franquia com demônios e criaturas do mal que vagam pela Terra.

A Maldição da Chorona – Crítica | Foto: Warner Bros

E sem uma pressão, efetivamente, de precisar fazer parte do universo como foi com A Freira (2018) e até mesmo os filmes da boneca Annabelle, aqui A Maldição da Chorona entrega uma daquelas produções bem honestas com si mesma, com o espectador e que mostra para que veio.

Como um típico filme do universo de terror, A Maldição da Chorona tem velhos e bons jump scare e sabe bem trabalhar o sentimento de antecipação ao susto, muito mais do que como vimos em Annabelle (2014) e Annabelle: A Criação do Mal (2017). E se vale de alguma coisa, podemos fazer uma comparação de que A Chorona acaba por ser uma Annabelle com esteroides e uma demônia muito mais interessante que aquela vista em A Freira (2018).

Apoiado numa mitologia religiosa super interessante, A Maldição da Chorona mistura aspectos da cultura mexicana com uma história de terror, que para muitos pode ser estranho ou diferente, mas aqui, tudo no filme é tratado com naturalidade gigante, mesmo que claro, algumas coisas, são vistas como excêntricas demais (como um ovo passado na parede), e até geram momentos de descontração no meio de uma pesada, triste e melancólico história.

Aqui, descobrimos que a entidade da Chorona, a Llorona no original, é um espírito que vaga a terra na busca de substituir as crianças que ela mesmo matou há anos. A forma com que A Maldição da Chorona apresenta sua mitologia acaba por ser bem feita, onde os roteiristas conseguem deixar o que foi apresentado não ficar maçante suficiente ou muito didática para o espectador, onde a história de origem do espirito é trabalhada ao longo do filme e que sabe mesclar bem a trama da família da assistente social Anna (Linda Cardellini, muito bem) que se vê jogada no meio da lenda e dos costumes mexicanos.

Com uma fotografia super escura, mas que se faz necessária para o longa, A Maldição da Chorona, nos faz lembrar de outra produção com Maldição no nome, A Maldição da Residência Hill, série da Netflix, que fez sucesso no ano passado. A Maldição da Chorona, não segue o mesmo caminho complexo e tortuoso que a série apresenta, aqui o roteiro é bem mais simples e raso, mas em termos de ambientação e outras questões estéticas, o filme puxa bastante pela memória com a série por conta de grandes semelhanças.

E talvez, pelo fato que a trama do longa se passe quase toda na casa dos Tate-Garcia, onde a Chorona quer levar as crianças Samantha
(Jaynee-Lynne Kinchen) e Chris (Roman Christou) para ela. Assim, vemos a família tentar vencer o demônio a todo custo com a ajuda do padre/exorcista Rafael (Raymond Cruz) e do padre Perez
(Tony Amendola), a conexão com o outro filme do universo Invocação Do Mal, Annabelle (2014).

A Maldição da Chorona – Crítica | Foto: Warner Bros

Se as decisões estéticas ajudam a contar a história, é no modo que a câmera é colocada que fazem totalmente a diferente para A Maldição da Chorona, se destacar dos outros filmes da franquia. A decisão do diretor Michael Chaves de quase sempre usar a câmera acompanhando os personagens como se o espectador fosse parte da história deixam o filme com uma sensação agonizante incrível.

As decisões de usar e abusar de planos- sequência são uma boa opção para nos fazer andar junto com eles dentro da casa e acompanhar o sentimento de terror na medida que são perseguidos pela entidade. Aliás, as sequências sejam dentro da casa, num corredor de hospital onde a Chorona está prestes a atacar, ou dentro de um carro com as portas passam um sentimento de claustrofobia gigante que A Maldição da Chorona, sabe dosar bem ao longo de suas rápidas 1 hora e 40 minutos!

No final, A Maldição da Chorona não entrega nada de novo, faz uma produção bem ok, e que funciona muito mais como uma história fechado para esse universo. com começo, meio e final, onde os produtores parecem ter uma certeza de como entregar um filme de suspense que não esteja muito preocupado fazer em muito sentido (quanto mais se pensa em algumas questões, mais dúvidas temos!), de estar amarrado num universo maior ou, até mesmo, de querer modificar a forma como vemos e apreciamos uma produção de terror.

A Maldição da Chorona, se apoia no básico com sustos moderados, bons efeitos práticos e uma criação de uma boa atmosfera de suspense. O lado positivo que pelo menos, a produção se assume assim, e não tenta ser mais que isso. Uma coisa difícil nos dias de hoje.

Nota do Crítico:

A Maldição da Chorona chega em 18 de Abril nos cinemas

Miguel Morales

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