A Guerra dos Sexos | Crítica

2017 realmente as produções focaram em grandes personagens femininos desde de espiãs russas super treinadas até camponesas viciadas em livros que vão morar em um castelo para contar histórias marcantes, interessantes e claro muito bem desenvolvidas. E num ano como esse, o filme A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes, 2017) chega no começo da temporada de premiações para somar a lista de produções que falam com o público sobre questões tão importantes como igualdades de gênero, relacionamento do mesmo sexo e o papel da imprensa no meio disso tudo.

Com atuações fantásticas, uma caracterização de época maravilhosa e personagens carismáticos o filme é uma jornada para o mundo do tênis que marca pontos e prepara seus atores principais para o Campeonato Mundial de Filmes mais conhecido como Oscar.

Guerra dos Sexos
Foto: Fox Film do Brasil

Baseado numa história real, a produção conta a trajetória que levou os jogadores de tênis Billie Jean King, a fantástica e no auge de sua carreira Emma Stone e Bobby Riggs, o ótimo Steve Carell, a disputarem em 1973 o que ficou conhecido como a “Battle of the Sexes” onde a campeã mundial jogava uma partida contra o ex- jogador num evento que ficou conhecido como um dos maiores programas televisivos da história dos EUA. Com ares de documentário, o filme tem uma pitada de humor bastante peculiar nada escrachado e consegue ter um tom leve, sereno e com um belíssimo visual ao mostrar como as coisas funcionavam na década de 70, onde o sexismo reinava e as mulheres lutavam para tentar se destacar dos homens em várias funções.

A Guerra dos Sexos é um filme de esporte e sobre esporte que além de falar sobre a partida de tênis e mostrar toda a construção que levou tanto King quando Riggs a marcarem a disputa ainda acerta em criar subtramas diferentes do plot principal o que faz do filme ser também sobre uma história de amor e relacionamentos contado de uma muito bonita, bem trabalhada e claro muito bem atuada sem cair em clichês em nenhum momento.

Para quem chega no filme sem conhecer muito da história dos personagens, o filme consegue criar uma ambientação bem interessante ao mostrar que as preocupações de uma casada Billie Jean King com a posição das mulheres no campo de tênis ainda tinham que disputar um espaço na cabeça da tenista que precisava também descobrir mais sobre sua própria sexualidade. Sempre focada no esporte Jean acaba conhecendo e se interessando pela cabeleira Marilyn (a execelente Andrea Riseborough) e o filme consegue retratar de forma bem sutil o relacionamento das duas. Com cenas marvilhosamente bem feitas e a química entre Stone e Riseborough é realmente fantástica e a produção acerta em vez de caminhar para qualquer rotulação ao passar o sentimento que elas são duas pessoas que apaixonaram e que por acaso acaba calhando que são duas mulheres.Uma ótima sacada do roteiro Simon Beaufoy que escreve as cenas de uma forma muito natural e poderiam ter saído de qualquer comédia romântica heterosexual.

Mas infelizmente o texto do filme não tem o mesmo ar rebuscado das atuações de seus atores principais, afinal muitas das coisas aconteceram na vida real não dando para florear muito, e o que realmente chama a atenção aqui é o ótimo elenco escalado. Emma Stone brilha e irradia a tela, a atriz realmente marca ponto com uma atuação maravilhosa, cativante e realmente dá o melhor de si numa caraterização assustadora que a deixa igual a tenista na vida real. Steve Carrell é uma grande surpresa e aposta arriscada dos produtores, afinal o ator está mais acostumado com produções mais populares mas aqui faz um Riggs que você consegue sentir antipatia pelos comentários preconceituosos e repulsão pelas atitudes do personagem e que claramente passa um sentimento de que você já viu ou lidou com um tipo desses na sua vida.

O roteiro também até tenta pintar ele como um dos vilões mas é claro que o verdadeiro mal a ser desafiado é a sociedade e seus valores invertidos que ficam muito bem personificados pelo antigo jogador de tênis Jack Kramer (Bill Pullman). A comediante Sarah Silverman tem seu momento como Gladys Heldman agente e melhor amiga de King e Alan Cumming rouba a cena como o estilista do time, mesmo num papel estereotipado mesmo para aquela época.

Guerra dos Sexos
Foto: Film Film do Brasil

O fato da transmissão atingir mais de 90 milhões de pessoas mostra como na época era mais difícil para as novas idéias se transmitirem o que dependia muito do papel da imprensa e querer diceminar um novas ideias e pontos de vista diferentes do tradicional. Numa das melhores sequências do filme e muito bem filmadas pelos diretores Jonathan Dayton e  Valerie Faris vemos como a imprensa mostrou todo o circo armado pelo jogador e faz da da cena coletiva de imprensa entre os dois tenistas uma das melhores do longa. E ao mostra as tenistas envolvidas na criação de um torneio próprio o filme passa um sentimento que lembra muito a série G.L.O.W. (Netflix) só que vez de luta livre o foco fica com o tênis e o filme inteiro marcha para a disputa de tênis mesmo não sendo o foco principal do longa.

Numa caracterização impressionante de figurino, maquiagem, e reprodução da década de 70 bem dentro do esperado A Guerra dos Sexos é uma produção atual, importante e que passa uma mensagem sobre muitos problemas que muitas mulheres passam ao tentar não serem melhores nem piores que homens e sim o desejo de serem tratados como iguais. Com ótimos diálogos e cenas que não colocam o homem como vilão o filme consegue transmitir de forma bastante inspiradora e com um tom bastante emocional a história principalmente de Billie Jean King. Emma Stone é um outro match point para a carreira da atriz que entrega uma atuação fantástica e realmente marcante.

Nota do Crítico:

A Guerra dos Sexos tem previsão de estreia para 19 de outubro no Brasil

Miguel Morales

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