A Freira | Crítica

Precisamos falar sobre A Freira (The Nun, 2018) e sério! Uma das coisas que Hollywood aprendeu e tem usado a seu favor é a questão de universo compartilhado de filmes. A Marvel tem acertado nisso desde de 2008 e a Warner Bros também (diferente do selo da DC)  justamente com o chamado Universo Cinematográfico de Terror de James Wan.

Um filme sobre a tal freira do quadro estranho é mostrado nas produções da franquia Invocação do Mal desde do segundo filme lá em 2016 e nada mais justo que Wan e os produtores trabalharem nessa expansão do universo.

E no final, é justamente isso que A Freira é, um anexo, uma produção um pouco isolada que mesmo que não deixe de ser um bom filme parece ter em suas conexões com o restante da franquia alguma coisa bolada de última hora.

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Foto: Warner Bros Pictures

A Freira se conecta com o Universo de Invocação do Mal em dois momentos e que se tirados do filme pela edição poderiam fazer dele um longa de suspense completamente a parte de tudo que Wan já fez até agora. Como falamos, A Freira não é um filme ruim, seu visual acaba por ser um dos seus pontos mais altos, a produção acerta em criar um clima de suspense, com um tom um pouco claustrofóbico e com cenas bem escuras que contribuem para o diretor Corin Hardy contar sua história. Diferentemente de David F. Sandberg (de Annabelle) em A Freira, Hardy parece mais prestar homenagens a diversos outros filmes de terror, tendo O Exorcista (1973) talvez sua maior fonte na figura do padre Burke (Demián Bichir), do realmente criar um tom assustador ao extremo.

Na história vemos, o personagem de Bichir ir até a Romênia investigar um caso de suicídio de uma freira em um convento e assim ele vista o local com uma noviça e um guia local (Jonas Bloquet). As interações entre ele e a irmã Irene (Taissa Farmiga em seu melhor momento) são bem bacanas, os dois juntos tem uma química boa e mesmo quando separados, a dupla acaba por ter também bons momentos isolados, como é o caso dele com a trama do caixão e e dela durante o ataque do demônio já dentro da igreja.

Mas em termos de trama e história, o roteiro assinado por Gary Dauberman e James Wan acabar por ser puramente mitológico, talvez seja o filme da franquia com mais histórias, origens de personagens e coisas para contar do que os outros, afinal, conhecemos o mito de Valak desde do começo (o que pode garantir para franquia, talvez, um novo filme).

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Foto: Warner Bros Pictures

Parece também que A Freira gasta preciosos momentos ao explicar para o espectador as coisas, e falha ao antecipar situações e efetivamente não usa esse tempo para realmente os assustar. A produção é mais marcada por um jogo de sombras e de questões psicológicas dos personagens, onde o demônio no corpo de uma freira brinca com os maiores medos deles, do que realmente, como falamos, mostrar momentos aterrorizantes.

Os famosos jump scare (marca presente na franquia) são poucos no filme e até mesmo os efeitos práticos e físicos são pouco utilizados aqui. A trama de A Freira realmente empolga lá nos seus momentos finais, depois de deixar o espectador na expectativa ao longo de toda sua duração.

Assim, A Freira é sim um bom filme de suspense e possui um tom bem mais sombrio que os outros filmes na franquia, mas talvez para os fãs desse universo criado por James Wan, a produção talvez decepcione um pouco. As referências parecem ser bem forçadas e encaixadas as pressas para o filme ter obrigatoriamente o selo Universo de Terror do produtor.

É um dos filmes mais assustadores do ano? Não é. Você vai levar sustos e realmente ficar com medo? Não. Mas A Freira entrega uma produção interessante para os fãs do gênero de terror e suspense, afinal quer coisa mais aterrorizante que entrar num convento amaldiçoado no meio da noite cheio de freiras e demônios? Só falta chamar o Pennywise de It – A Coisa, Jason Voorhees de Sexta-Feira 13 e o Boneco Chuck. 

Nota do Crítico:

A Freira chega nos cinemas em 6 de setembro.

Miguel Morales

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