A Família Addams | Crítica

Estranhos e sombrios, provocam calafrios…

Numa época onde Hollywood abraçou famílias disfuncionais como ninguém, uma das mais conhecidas e icônicas está volta, desta vez em formato de animação, onde os Addams retornam para realmente nos mostrem como fazem falta na cultura popular e nas discussões cinéfilas.

E já não é de agora que a Universal Pictures tenta retomar seu universo de monstros que fez bastante sucesso antigamente, e com A Família Addams (The Addams Family, 2019), o estúdio e a produtora MGM, apostam numa volta animada para os Addams.

A mãozinha esperta, o visual pálido dos personagens, as vestes negras, e as olheiras de Gomez Addams também estão de volta, onde a versão 2019 de A Família Addams faz uma animação assustadoramente engraçadinha.

A Família Addams – Crítica | Foto: Universal Pictures

O roteiro escrito pela dupla Matt Lieberman e Pamela Pettler, chega a ser extremamente simples, onde a história não chega a efetivamente empolgar, mas somente de vermos o retorno dos carismáticos personagens temos a sensação de estar em casa novamente. 

Assim, mostrar os Addams em pleno 2019, acaba por ser uma aposta interessante, onde a animação flerta com algumas questões modernas sobre privacidade digital, preconceitos com aquilo diferente do comum, e claro, coloca as crianças Addams num dos lugares mais assustadores que existem: o colégio americano.

Baseado nas primeiras histórias, e nas animações clássicas de Charles Addams que publicou as tirinhas dos personagens nos anos 30 em jornais americanos, o visual dos Addams de 2019 podem causar certa estranheza num primeiro momento, que tem um estilo bem parecido com as animações de Tim Burton (A Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack) onde em termos de animação parece que eles são uma mistura de 2D com computação gráfica, o que deixa a fluidez dos personagens meio travados em alguns momentos. Mas, o que importa é que toda a essência dos Addams com suas excentricidades, e uma visão sombria do mundo está de volta. E aqui, a animação até consegue prestar certas homenagens para outros filmes clássicos de terror como It – A Coisa (na cena com o balão) e Frankenstein (na cena do laboratório).

Assim, os Addams precisam lutar contra o preconceito de serem diferentes numa época de opinões polarizadas, fake-news e intolerância gigantesca quando a apresentadora de reality show Margaux Needler (uma mistura de Ana Maria Braga com Ana Paula Padrão) descobre que a Mansão Addams está no alto da colina e atrapalha a visão da cidade modelo que ela construiu para seu programa. Para o desgosto de Morticia, Margaux e sua visão colorida e clean das coisas se mostram não estarem para brincadeiras, onde a história acaba por ficar perigosa para os Addams que se encontram, de novo, enfrentando os desafios de serem uma família diferente das outras.

A Família Addams – Crítica | Foto: Universal Pictures

Ao precisarem se unirem e não lutarem separados, a família trevosa irá descobrir que as relações entre eles são muito mais importantes que um vestido preto, armaduras, e pó espalhado pela casa. Assim, a trama se concentra entre os Addams precisarem interagirem com os moradores da comunidade, o que rende momentos interessantes para Vandinha que começa a sair com os outros jovens da região, em uma fase rebelde que envolve pôneis rosas, e ainda, Feioso que precisa treinar para um ritual de passagem que os Addams tem há milhares de anos e que reúne toda a família para assistir.

Assim, A Famíla Addams então explora as diversas peculiaridades de seus personagens, e o que fazem eles serem tão diferentes acaba por os ajudar a perceberem que no fundo família é tudo igual, só muda o endereço.

Para um público mais velho, a nova animação de A Família Addams pode soar bobinha e ruinzinha, mas nem a trama simplista tira o brilho da animação que entrega um retorno dos personagens queridos e marcantes, e até serve para introduzir todos eles para um novo público.

Os Addams vem aí…

Nota do Crítico:

A Família Addams chega em 31 de Outubro nos cinemas.

Miguel Morales

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