A Caminho de Casa | Crítica

Para os amantes de cachorros, A Caminho de Casa (A Dog’s Way Home, 2019) definitivamente é um daqueles filmes para emocionar e encher os olhos de lágrimas com a amizade entre a cachorrinha Bella e seu dono, o jovem Lucas.

Para outras pessoas, A Caminho de Casapode ser apelativo e que brinca com as emoções do espectador de uma forma super forçada, e digamos, entediante. E você é um dog lover? Se sim, uma entrada de cinema para você.

Jonah Hauer-King in A Dog's Way Home (2019)
A Caminho de Casa – Crítica | Foto: Sony Pictures

Os primeiros momentos de A Caminho de Casa, chegam a ser super contagiantes e alegres, e fazem um dos pontos altos do longa, na medida que vemos o começo da relação entre a cachorrinha Bella (voz marcante de Bryce Dallas Howard) e Lucas (Jonah Hauer-King, esforçado).

O destaque fica, também, para a dublagem de Howard que parece se divertir com a personagem. E o filme até tem um certo fôlego enquanto Bella narra as diversas etapas de sua vida, e como ela e Lucas brincam das mais diferentes maneiras, como o jogo da bola, a brincadeira do sapato “Não coma o sapato” ou “Vou para trabalho”, e ainda “Quer um pedacinho de queijo?“. Assim, todos esse momentos, até chegam a dar para o filme um tom bastante espirituoso. Mas, ele termina no momento que a cachorrinha sai da casa do jovem rapaz.

A parte de humana de A Caminho de Casa aumenta e amplifica os problemas do longa, talvez, por retratar os personagens de um jeito extremamente simples, literalmente de uma forma como uma cachorrinha filhote veria os donos humanos, por mais surreal que isso seja.

E aqui, o filme entrega uma trama simples, sem muita profundidade, ou até mesmo carisma. O resto dos personagens são extremamente avulsos, como a mãe de Lucas, Terri (Ashley Judd), que no filme é apenas Mãe, o vilão a ser enfrentado, o agente público que quer recolher a cachorrinha para um canil, também é super caricato, e no meio disso tudo temos a amiga e parceira de Lucas, Olivia (Alexandra Shipp), que faz a batida personagem de apoio narrativo.

Assim, A Caminho de Casa é só isso, tudo gira em volta de Bella e nada é muito desenvolvido.

A Caminho de Casa – Crítica | Foto: Sony Pictures

Então, em A Caminho de Casa, só nos resta acompanhar a trajetória de Bella por mais de 600km, na tentativa de voltar para casa do seu dono, depois que é deixada em outro Estado para viver no interior por conta da perseguição que sua raça sofre. A produção parece uma grande propaganda institucional de ração para cães, ou de proteção para os animais, só que com um grande orçamento e lançamento nos cinemas.

O roteiro da dupla W. Bruce Cameron e Cathryn Michon, pelo menos, acerta nas desconexas e forçadas partes em que mostra um pouco dos benefícios que os animais podem fazer para recuperação de veteranos de guerra e naqueles que sofrem com depressão.

A Caminho de Casa, passa uma mensagem, até que bacana, mas que no final, soa um pouco forçada, e até mesmo sentimental demais. As interações entre a cachorrinha, com seu dono e os percalços que ela enfrenta na jornada de volta, não compensam, todo o caminho percorrido.

Nota do Crítico:

A Caminho de Casa chega nos cinemas em 28 de fevereiro.

Miguel Morales

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