A Cabana | Crítica

William P. Young, o livro A Cabana (The Shack, 2007) após quase dez anos do seu lançamento, finalmente ganhou adaptação para as grandes telas. E com isso a dúvida, se seria mais um filme que envolvesse questões religiosas e automaticamente selecionaria a bilheteria somente para esse público.

A história narrada pelo personagem Willie (interpretado por Tim McGraw, o cantor de músicas country) conta o drama ocorrido na vida de uma família de cinco pessoas, o pai e personagem principal Mack Phillips (Sam Worthington de Avatar, 2009), a esposa Nan (Radha Mitchell) e os filhos Josh (Gage Munroe de Immortais, 2011), Kate (Megan Charpentier de Mamma, 2013) e a pequena Missy (Amélie Eve).

A Cabana critica movie review
Foto: Divulgação/Paris Filmes

Durante a última viagem para aproveitar o verão, o pai resolve levar os três filhos para acampar na beira de um lago. No local haviam outras famílias fazendo o velho e tradicional acampamento americano com barracas, trailers, marshmallows na fogueira e canoas para remar no grande lago, até que um pequeno incidente e desvio de atenção leva ao desaparecimento da filha mais nova, Missy. Houve indícios de que a pequena havia sido raptada e assassinada em uma cabana na região, velha e abandonada e que seu corpo não fora encontrado após buscas feitas pela polícia. Após quatro anos de tristeza e angustia, Mack recebe um bilhete misterioso em sua caixa de correio, dizendo ser um convite para retornar a cabana, do “Papai”, forma que sua filha e esposa costumavam chamar Deus.

O diretor Stuart Hazeldine (Exam, 2009) e os roteiristas encararam a missão de fazer um sucesso literário que vendeu no Brasil 44 milhões de cópias, ganhar o público em geral. Com uma belíssima fotografia, o filme pega o espectador pelo emocional desde o início. A trajetória conta como duas pessoas se identificam diferentemente com Deus. A esposa é devota e possuí fé e o marido por conta de acontecimentos ruins do passado mantém desacreditado. O filme inicia-se misterioso, com idas e vindas do passado e presente através das lembranças do personagem principal.

Há algumas pontas soltas no filme, como a passagem de quatro anos que não ficam muito clara e também algumas citações da bíblia, mesmo que feitas para pessoas não religiosas entenderem, ficaram um pouco confusas, assim como entender logo no começo que, para uma pessoa que não leu os livros, saber que um dos personagens era Jesus e o outro o Espírito Santo.

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Foto: Divulgação/Paris Filmes

A breve participação da atriz brasileira Alice Braga traz um dos momentos mais emocionantes do filme, ela que interpreta a Sabedoria, deixa claro algumas mensagens dada pelo filme como o bem contra o mal, a verdade e a mentira, o julgamento, confiança e o perdão. A extraordinária Octavia Spencer personifica as várias faces e nomes de Deus, uma delas é Elouise, uma mulher sabia que revela ser “Papai” para Mack, em sua chegada a Cabana.As mensagens de humanidade transmitidas no filme são realmente o que tornam do enredo algo para se refletir.

Em A Cabana, a história é leve em termos de religião e pode-se compreender que não é esse o objetivo do roteiro, mas sim, de transportar valores que hoje em dia estão cada vez mais extintos. Há referências de passagens bíblicas, mas a questão do filme é fazer você refletir no que é real ou falso, é acreditar naquilo que você possa vir a ter fé, independente dos valores impostos pela sociedade.

Nota do Crítico:

A Cabana estreia em 06 de abril nos cinemas.