A Bela e a Fera | Crítica

A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 2017), ou a história digamos “mais antiga do mundo”, onde uma bela moça se apaixona por uma fera horrenda já foi contada e re-contada ao longo do anos, mas talvez sua versão mais famosa seja a animação de 1991, lançado pelo próprio estúdio.

Vencedora de 2 OscarMelhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção Original, foi a primeira animação a concorrer na categoria de Melhor Filme. A animação foi um marco para a Disney, que voltou com a sua Era de Ouro das Animações, que ainda incluem A Pequena Sereia (1989) e Aladdin (1992).

A história teve continuações lançadas em VHS e DVD, virou musical pela Broadway, participou de séries de TV e sempre esteve no boca-a-boca do povo, participando de listas online e sempre lembrada por suas músicas e seu roteiro mais robusto que as outras animações lançadas anteriormente.

A Bela e a Fera Crítica
Foto: Disney

Então, quase depois de 25 anos de seu sucesso, o estúdio resolveu adaptar o desenho clássico para os cinemas na continuação do seu projeto de transformar seus sucessos em filmes com seres humanos. Assim, quando o projeto foi anunciado, além da principal pergunta quem fará Bela? o filme lidou com perguntas importantes como a história será transportada fielmente da animação?, as músicas serão as mesmas? a história deverá ser atualizada para mostrar um pouco da realidade dos dias atuais? Bem não, não e sim!

A Bela e a Fera é uma excelente releitura da animação, onde você se diverte com as cenas clássicas, se emociona com as músicas e ainda consegue sentir uma brisa de “modernidade” na história de modo geral e na concepção de alguns personagens. Na parte de escalação, a Disney talvez fez seu melhor trabalho. Todos os atores escalados estão excelentes. Emma Watson não te convence logo de cara na sua primeira cena, mas é esperar o musical de abertura terminar que você é sugado pelo jeito meigo, mas forte que a atriz quis passar para a personagem. Se mantendo fiel a personagem dos desenhos, a Bela de 2017 decide ser quem ela é: curiosa, inteligente e inovadora. Ela não quer ser Madam Gaston e claramente não quer ficar presa naquela cidade provincial. Um exemplo para as futuras gerações de meninas por ai.

Os outros grandes destaques ficam para animação dos objetos do castelo, liderados pelos personagens de Ewan McGregor, como Lumiere, e  Ian McKellen, como Horloge. Os dois em suas formas humanas, claro, aparecem pouco, mas a voz e a animação utilizada deixam os personagens com o mesmo ritmo da animação, onde a rivalidade entre eles é menos acentuada deixando espaço para os personagens de Emma Thompson, como Madame Samovar, e uma nova personagem formada pela excelentíssima atriz da Broadway Audra McDonalds, que faz a guarda-roupas Madame de Garderobe, aparecerem um pouco mais. O ator Dan Stevens, um pouco desconhecido do público, aparece em poucas cenas, mas fez um bom trabalho ao mostrar o contra-ponto do Príncipe arrogante com a Fera um pouco mais sombria e calejada.

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Foto: Disney

Mas quem realmente rouba a cena sempre que aparece é o engraçado, talentoso e quem sabe o melhor cast escolhido para o filme, o ator Josh Gad como o personagem LeFou. O personagem foi colocado no fogo cruzado esses dias depois que teve uma entrevista dos produtores do filme falando sobre a sexualidade do personagem e, em pleno 2017, alguns cinemas tentaram boicotar o filme. Em quase todas as cenas LeFou aparece junto com vilão Gaston (um Luke Evans também muito bem escalado que coloca um pouco de profundidade no personagem), o que gera piadas sutis sobre as intenções dos dois personagens.

As sequências musicais são muito bem trabalhadas, com todas músicas da animação clássica de volta, com destaque para o musical de abertura e a famosa cena do jantar Be Our Guest. A trilha sonora foi escrita pelo compositor Alan Menken, que cuidou da trilha de A Pequena Sereia e Aladdin, e o músico Tim Rice, dos musicais O Rei Leão e Evita. Talvez se tivesse que alterar alguma coisa seria a finalização de algumas cenas com o corte preto. Não deixando que a cena continuasse naturalmente como uma transição mais suave. O efeito usado em excesso deixou o ritmo do filme meio picotado.

Assim, A Bela e a Fera é um filme que une a nostalgia dos amantes do clássico, com cenas musicais muito bem feitas, efeitos especiais de um nível de qualidade gigantesco e, claro, uma roupagem um pouco mais moderna, afinal os tempos mudaram e em 25 anos as percepções para algumas coisas devem mudar também. Mas no caso do filme foi preciso atualizar algumas coisas, mas sem mexer muito no que deu certo durante tanto tempo. A produção soube bem dosar as respostas daquelas perguntas feitas lá cima e irá ganhar muito dinheiro com produtos e na bilheteria, afinal com um filme tão emotivo isso é praticamente uma máquina de fazer dinheiro.

Nota do Crítico:

A Bela e a Fera chega aos cinemas em 16 de março.