A Babá | Crítica

Em alguns quesitos a Netflix realmente se supera e com a A Babá (The Babysitter, 2017) o serviço de streaming atingiu novos patamares. O filme em sim é uma das produções trash de terror daqueles que estamos acostumados, com roteiro simples, rostos bonitos, baixo orçamento e um nível de piadas não muito bem elaborado. A produção tem tudo isso e entrega um terror/filme b grotesco, mas com um humor afiado e piadas interessantes e atuações maravilhosamente ruins, só que no final acabam deixando ele um bom longa e tranquilo de se assistir.

A trama gira ao redor de Cole (um ótimo Judah Lewis) que é um dos únicos alunos da escolha ainda a ter uma Babá. Bee (Samara Weaving) não é uma babá comum, ela é loira, magra, bonita e ainda sabe sabe tudo sobre filmes dos anos 80, referências pop e claro tem um bom gosto musical. Mesmo sofrendo na mãos dos colegas do colégio que zoam bastante com o garoto, Cole sabe que ao voltar para casa terá a companhia da jovem com quem ele se dá muito bem.

Mas as coisas não acabam de um jeito muito bacana quando numa noite seus pais (os hilários Leslie Bibb e Ken Mariano) resolver tirar uma noite deles e o deixam com a babá. Assim, o garoto decide espiar o que a moça faz depois que ele vai dormir. E a surpresa não poderia ser melhor: ela faz parte de um culto!

Foto: Netflix

E ai que o filme realmente começa por que os primeiros minutos são bem ok e não mostram nada demais ou de interessante. O roteiro de Brian Duffield te faz conhecer os personagens e as piadas só funcionam quando os pais tão juntos: Mad Man que o diga não é HBO? A melhor coisa que A Babá faz é não se levar a sério e é um recado que damos para você ao assistir: relaxe e aproveite a maluquice, pois o filme melhora e muito quando ele tem a virada do roteiro. Com direção de McG que trabalhou em muitas séries de TV teen, o longa claro não foge de estereótipos para composição do membros do culto: o atleta fortão, a líder de torcida bonitinha, a menina nerd asiática e o cara negro cheio de atitude. Assim, cada um tem seu rápido tempo de tela para brincar com suas características marcantes de seus personagens, as piadas tem um timing bem bacana e junto com a trilha sonora deixa faz o filme ficar bem mais corrido quando Cole tem que se salvar dos membros da gangue da Babá.

Claro que o filme precisa estabelecer a relação entre o menino e a babá e ele consegue fazer isso de uma forma bem irritante e bem forçada para depois jogar tudo para o alto quando descobrimos a real identidade da personagem principal para sermos apresentados os membros do culto. E assim o filme ganha realmente ares de terror com matanças bem sangrentas e uma morte mais absurda e maluca que a outra num verdadeiro banho de sangre. Cada personagem acaba morrendo de forma bastante criativa, e o filme não poupa piadas e referências atuais e a cultura pop, mesmo que muito clichê, o longa acaba indo para um lado um pouco diferente e revigora os filmes do mesmo gênero sendo uma produção bacana de se acompanhar.

Numa mistura de Esqueceram de Mim (1990) com Todo Mundo em Pânico (2000), A Babá só se destaca ao saber fazer piada com si mesma e seus personagens. A entrada da gangue do mal só deixa o filme mais pirado, maluco e insanamente engraçado. Os destaques ficam com Bella Thorne que realmente encarna a Scream Queens dentro de si e claro com Robbie Amell que passa o filme inteiro sem camisa apenas por que ele pode. A Babá não é tão hilário e nem assustador demais, o longa fica no meio termo. Mesmo bastante previsível a produção acerta e faz homenagem a outros filmes de uma forma bem bacana e sabe que é um filme para não se levar a sério.

Nota do Crítico:

A Babá disponível na Netflix.

Miguel Morales

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