A 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) acontece entre os dias 10 e 14 de julho

Euclides da Cunha é autor homenageado na FLIP em 2019, sobre a curadoria da jornalista e editora, Fernanda Diamant responsável pela 17ª edição da festa literária que acontecerá do dia 10 a 14 de julho na cidade de Paraty, localizada no litoral sul do Rio de Janeiro.

Os Sertões é a principal obra de Euclides da Cunha, o escritor, jornalista e engenheiro. Publicado em 1902 sua principal obra teve origem em uma cobertura jornalística da revolta de Canudos (1896 – 1897), que aconteceu no interior da Bahia.

“A obra de Euclides da Cunha é pioneira na criação a partir da leitura e da interpretação do território, questão que nortearia os modernistas ao longo do século 20 e está presente na FLIP desde sua concepção. A sua ligação com o jornalismo compõe também um elo importante com a Festa Literária, que sempre teve uma conexão forte com o jornalismo e a literatura de não ficção, gênero que tem trazido obras de grande valor cultural e intelectual. É essa conexão entre o território e a literatura que nos permite inovar todos os anos, mantemo-nos conectados ás novas demandas culturais.”

Declara Mauro Munhoz, diretor geral e artístico da FLIP 2019.

Um dos poucos autores de não ficção a ser homenageado pela FLIP, Euclides da Cunha entre em destaque por sua grande colaboração para a literatura brasileira relatando um dos momento mais cruciais para o Exercito brasileiro no conflito de Canudos, descrevendo a brutalidade em que se encontravam na guerra. A jornada de Euclides para a cobertura da guerra o muda a partir de sua própria observação da sociedade, da natureza, do homem a partir de seu olhar faz uma analise e descreve toda a brutalidade dos soldados realizando um cerco a jagunços e sertanejos que não desistiram de seus ideais e se mantiveram firmes até o momento inevitável da morte.

Euclides se formou em escola militar, passa a ser engenheiro civil e não militar após uma “insubordinação” ele foi exonerado da Escola Militar devido a não apresentação de armas conforme a vista realizadas pelo então ministro do Império / Guerra , seu ato era na verdade um protesto que tinha sido arquitetado previamente entre todos os alunos no entanto no momento somente Euclides da Cunha se negou a realizar a apresentação de armas, o que lhe rendeu a prisão e consequente expulsão da Escola Militar.

Informações que foram obtidas e publicadas pela professora emérita de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo Walnice Nogueira Galvão, que em 2009 publicou “Euclidiana. Ensaios sobre Euclides da Cunha” pela Companhia das Letras que rendeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras. A autora já confirmou presença na FLIP 2019.

Divulgada em 15 de maio a programação da festa que este ano conta com 33 autores convidados. A distribuição entre a Tenda Principal que é o auditório da Matriz com capacidade para 512 lugares. Junto a programação principal acontece paralelamente as Casas parceiras onde este ano os autores convidados da FLIP poderão marcar presença nos eventos paralelos com uma única ressalva de que o tema a ser abordado pelo autor não vá de encontro ao tratado nas mesas principais.

Os valores dos ingressos que serão vendidos a partir do dia 03 de junho, serão de R$ 55,00 com possibilidade de meia-entrada. poderão ser adquiridos no site https://novo.flip.org.br/ingressos/ onde esta publicada a programação das mesas.

O valor do ingresso para as mesas se manteve desde o ano anterior, para levantar fundos e arrecadar parcerias a FLIP calcula que possui até o momento 4.7 milhões de reais com estimativa de orçamento para 5.4 milhões de reais como valor total. Assim como em diversos setores da economia nacional a FLIP enfrente em suas três últimas edições cortes em suas verbas principalmente as advindas do setor publico por conta disso as parcerias com entidade privadas, e a criação de um club exclusivo de assinantes da FLIP foi uma das alternativas para manter o evento.

Em sua apresentação da programação Munhoz define a FLIP como: “Uma manifestação cultural, com compartilhamento de experiências e vivencias”.

Em 2020 poderá existir a renuncia fiscal que seria uma alternativa para a organização do evento continuar se mantendo firme mesmo em tempos de crise econômica. Segundo informado por Munhoz, através de pesquisas da Fundação Getulio Vargas (FGV), a FLIP injeta na economia local da cidade de Paraty 4.8 milhões de reais somente com o pagamentos de impostos, sem as influencias da rede hoteleira, restaurantes, programas paralelos ao evento principal.