7 Desejos | Crítica

O que você faria se um dia ganhasse a oportunidade de mudar sua vida com o simples toque em algum objeto mágico? Já vimos essa pergunta sendo feita e respondida em diversos contos de fada e filmes, principalmente aqueles da Disney, como Aladdin (1992) onde personagem título tem 3 desejos, ou em Cinderela (1950) onde a mocinha ganha seu desejo ao toque da varinha de uma fada madrinha bondosa.

Mas o que sempre vimos foram os finais felizes acontecendo por conta da própria vontade dos personagens e os desejos foram mais como uma ajudinha e um ponta pé do que alguma coisa que movimentasse a trama de forma continua. Mas aí os produtores pensaram, então por que não unir o lado mais “macabro” e “assustador” junto com o fator motivador que são os pedidos em si? É assim que a história de 7 Desejos (Wish Upon, 2017) foi pensada, mas sua a execução por outro lado foi digamos um pouco diferente.

7 Desejos
Foto: Imagem Filmes

Se por um lado o filme até conta com um sustinho aqui e ali, ele não pode ser considerado um terror do tipo clássico mas também não é um suspense daqueles dos bons que te prende na cadeira. O filme é um drama com jump scare, aqueles momentos que servem para você dar uma pulada de susto e partir para outra cena como se nada tivesse acontecido e olha que no filme eles não são tantos assim. Dos mesmos produtores de Annabelle, outra franquia de terror mascarada, 7 Desejos é uma produção bem teen com tramas sobre situações adolescentes e que necessariamente não são bem desenvolvidas ou apresentadas junto com pequenos momentos de um terror mais tranquilo talvez até um pouco mais psicológico, afinal, você sabe como a caixa funciona e só espera (com sua pipoca) os eventos acontecerem. E eles vem sempre da mesma forma bizarra.

No filme, conhecemos Clare Shannon (Joey King) que no fundo é uma boa garota mas que perdeu a mãe ainda criança e agora como uma típica adolescente lida em sobreviver ao ensino médio em companhia de suas amigas que também lutam para se sairem bem na escola no meio das meninas malvadas e dos garotos bonitinhos. A personagem principal mora com seu pai, Jonathan (Ryan Phillippe) que vasculha as casas das pessoas atrás de sucata quando ele chega em casa com uma antiga caixa de música, ela agradece e pensa que é mais uma dessas coisas que seu pai sempre trás para casa. Curiosa com os dizeres em chinês ela descobre que o objeto antigo promete garantir ao dono desejos e inocentemente Claire faz um pedido.

No dia seguinte, as coisas parecem estar normais como sempre, mas ela percebe que seu desejo se tornou realidade, o único problema que em uma das mensagens que ela não consegue traduzir e que acaba gerando um mistério bobo e dispensável, diz que a caixa sempre cobra alguma coisa em troca por ele. O que mais impressiona é a que personagem demora um bom tempo para conseguir conseguir fazer a conexão entre os pedidos que mudam radicalmente sua vida e as mortes suspeitas.

Demora uns bons minutos também para alguém do elenco de apoio perceber que a vida da personagem mudou e muito e é meio como que a trama se desse ao luxo para se desenvolver e explicar como a mitologia da caixa funciona mesmo sem muita necessidade. O roteiro então acaba focando mais no que os desejos fazem ao mudar a vida da protagonista, num conto de fadas de invertido que vão desde de ganhar uma quantidade grande dinheiro e o garoto que nunca deu bola para ela se interessar do nada por ela.

Assim, junto com os outros personagens que até levantam a bola sobre a questão, a mudança repentina no cotidiano da personagem é super uma coisa que você precisa aceitar para embarcar no ritmo do filme. 7 Desejos tenta até te enganar em alguns momentos e acho que no final essa é a definição do filme, uma produção que te mascara uma trama adolescente em filme de terror, mas que não passa verdadeiramente medo e que até brinca com o fato quando o desejo é feito e você espera quando e como a próxima irá acontecer.

A atriz principal, Joey King tem feito bastante coisa em Hollywood e até convence em alguns momentos principalmente quando Claire começa a fazer desejos loucamente e afetando a vida de todos a sua volta mas acaba por não entregar muito uau ou até mesmo memorável. Ryan Phillippe sempre escolhendo aqueles papéis que do cara boa pinta mas atormentado por alguma coisa do passado e que sofre com isso desde então, faz aqui um personagem pai de família bem no piloto automático.

Foto: Imagem Filmes

Shannon Purser, mais conhecida por seu papel na série Stranger Things, da Netflix, aqui repete a mesma função de amiga da principal e serve mais para fazer uma divulgação um pouco maior do filme afinal sua personagem poderia ter sido interpretada por qualquer outra atriz. Sydney Park fica com o alivio cômico com sua personagem Meredith desbocada e non-sense mas que também no final acaba não tendo muita relevância na história. O restante do elenco bem desconhecido serve apenas para dar continuidade para a história não tendo nenhuma outra função mais especifica ou alguma outra atuação marcante.

Misturando as tramas de Premonição (2000) com qualquer temporada de Malhação que esteja no ar, 7 Desejos tem seu lado positivo: a história não empaca. O filme acaba sendo bem dinâmico e a trama não é arrastada pelo fato que a personagem principal tem que realizar os desejos e ir descobrindo como lidar com as confusões que aparecem na sua vida o que claro faz você torcer que ela continue a falar com o objeto e desejando mais coisas.

Com alguns enquadramentos bem bonitos e uns efeitos convincentes o filme deve ser visto com uma pura descontração e de forma super descontraída. Inclusive, em alguns momentos a produção chega até ser engraçado a medida que você embarca no espirito da coisa e se diverte com as cenas repetidas. Assim, não deseje que o longa seja renovação do terror afinal, todo desejo tem um preço e se você for assistir o filme com essa expectativa o único preço que você vai acabar pagando é do ingresso mesmo.

PS: Fiquem até o final pois o filme tem uma rápida cena pós-crédito.

Nota do Crítico:

7 Desejos estreia em 27 de Julho.