3% | 2×06-10 – Garrafas/ Sangue

Deixamos nossa divisão dessa temporada de 3% entre os episódios 2×05 -Lampião e 2×06 – Garrafas justamente por dentro da estrutura narrativa que compõe o segundo ano, episódios de transição na temporada como se fosse um divisor de águas.

E se nosso texto inicial não teve muitos spoilers, esse já avisamos, terá. Afinal, com os rumos que a série tomou não tem como não falar sobre detalhes da trama.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do episódio. Continue a ler por sua conta e risco.

Foto: Netflix

Um dos maiores acertos de 3% nessa segunda temporada sempre foi brincar com esses dois lados, MarAlto e Causa, e deixar que seus personagens nunca fossem 100% bons ou 100% ruins e até mesmo nunca muito fiel para um dos lados, como se tivesse uma camada cinzenta cobrindo o ambiente da série, igual a névoa que é usada para limpar as memórias das pessoas, vista no episódio 2×07 – Névoa.

E assim os roteiristas ao além de colocar Ezequiel (João Miguel) como um infiltrado da Causa dentro do MarAlto deu uma virada 360º no andamento do seriado ao fazer a velha e boa manobra no roteiro de um dos protagonistas morrer de uma forma heróica. É como se Ezequiel fosse o Ned Stark, de Game of Thrones, em 3% ele tem sua importância mas o que vem pela frente é muito maior e mais impactante.

Mesmo que a boa atuação de João Miguel tenha ajudo, o ritmo de agilidade que marcou todo episódio só deixou o sentimento que no novo ano a série ficou mesmo mais madura e não teve medo de ousar em o que nas séries é chamado de pular o tubarão para não deixar a peteca cair.

No segundo ano 3% vem também para ampliar sua mitologia sem freios e vemos isso isso desde da cena de abertura, onde vemos o Trio fundador (interpretados por Maria Flor, Fernanda VasconcellosSílvio Guindane) contar sua história o que pegou muita gente de surpresa. A introdução do arco narrativo do Casal que era um Trio de fundadores que deixa o sentimento de preocupação dos roteiristas com essa trama maior e ampliada que seja a temporada muito mais interessante e bacana de se acompanhar.

As atrizes Maria Flor e Fernanda Vasconcellos tem pouco tempo de tela mas estão super confortáveis e acabam deixando suas personagens transmitirem um sentimento de naturalidade gigante. Sílvio Guindane mesmo que tento ainda menos falas acaba por transmitir uma sensação que seu personagem faria de tudo para proteger aquilo que criou.

E essa é a definição desse novo ano:  3% ainda muita história para contar. E se depender da qualidade apresentada nesse novo ano é mais do que fundamental que a série seja renovada para um novo ano o quanto antes. A parte final dessa segunda temporada foi marcada por reviravoltas importantes e por retornos inesperados.

E a partir do episódio 6 – Garrafas parece que vemos outra temporada começar, é o que falamos no outro texto, no novo ano da série tudo é trabalhado em pares e o combo final de episódios não deixa nada a desejar aos primeiros 5 episódios.

Mesmo retornando com a dupla 2×06 – Garrafas e 2×07 – Névoa que são episódios um pouco mais calmos e de construções de personagens como Gloria (Cynthia Senek), 3% usa esses capítulos com um ritmo mais lento para a dar aquela preparada no terreno, afinal o processo 105 está ali dias de acontecer e ambas as partes ficam cada vez mais tensas com seus planos já para serem postos em prática.

Foto: Netflix

E novamente 3% abusa de troca de aliados e lados. Por um lado vemos Fernando (Michel Gomes) e Rafael (Rodolfo Valente) trabalhando juntos com Michelle (Bianca Comparato) quase sempre em trabalho solo e Joana (Vaneza Oliveira) que acaba encontrando em Marcos (Rafael Lozano), aquele que pensamos ter morrido no final da temporada, um adversário a altura mesmo que sua relação com sua mãe tenha ficado um pouco novelesca demais mas garantiu cenas dramáticas interessantes e curiosas.

A personagem da Comandante Marcela (Laila Garin) acaba ganhando muito mais destaque e se colocando com uma figura central para o desenvolvimento da trama e ficando até mais humana devido a relação com seu filho que é apresentada. Um acerto gigante da atriz que conseguiu construir a personagem e aproveitar o crescimento dela na trama.

Toda a discussão moral apresentada em 2×09 – Colar é muito bem feita e trabalhada, afinal o MarAlto tem culpa nos acontecimentos do continente ou apenas serviu como um acelerador para uma tragédia já anunciada. A entrada, finalmente, na trama do irmão de Michele, André (Bruno Fagundes) serve para dar uma movimentada na personagem e claro para terminar o arco iniciado lá no final da primeira temporada.

Todo o trabalho de flashback ao mostrar o que aconteceu durante a crise do personagem e sobre a resolução o assassinato do seu mentor foi muito feita com as cenas em paralelo com os dias atuais. Um ótimo trabalho de edição e montagem. Nos episódios finais 3% usa seu tempo para arrumar a casa, aparar as pontas deixas nesse segundo ano e parte para um final de temporada angustiante, explosivo e claro ousado.

Os planos bolados em 3% quase nunca dão certo é como o quarteto fosse os Guardiões da Galáxia e improvisar sempre acaba saindo melhor do que o planejado. Ao som do samba Preciso Me Encontrar as possibilidades abertas por Michele e sua cartada certeira nos membros do Conselho são infinitas.

3% estreou mundialmente sua 2ª temporada na Netflix no dia 27 de abril. Para acompanhar acesse netflix.com/3porcento.

Miguel Morales

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