22 Milhas | Crítica

O ator Mark Wahlberg novamente assume o protagonismo de um filme daqueles tipicamente patriota americano sabe? Com direção de Peter Berb, a produção é a terceira na lista da parceria entre os dois que começou lá em 2013 no longa O Grande Herói.

Agora em 2018, eles retornam com a temática de guerra contra o terror e operações ilegais dentro de agências governamentais dentro dos EUA, com o drama 22 Milhas (22 Miles, 2018).

O longa protagonizado pelo ator até poderia ser um bom filme do gênero mas tem em sua trama uma história pretensiosa e que em suas inúmeras reviravoltas tenta ser mais complexa do que  realmente é.

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Foto: Diamond Films

O filme tem boas cenas de perseguições de carro, de explosões e até mesmo boas sequências de lutas mas 22 milhas se apoia muito no carisma de seus atores para tentar engrenar sua história. Wahlberg até faz um personagem interessante, um pouco mais complexo do que ele normalmente faz, o agente James Silva, que é uma figura super inteligente mas que não consegue seguir as ordens de seus superiores pois sempre acha que há um jeito diferente de fazer as coisas, o seu.

Com seu elástico preso no braço para tratar de ansiedade, seu pensamento rápido e sua fala ágil, o Silva de Wahlberg se vê no meio, no que ele acha, de uma conspiração política internacional envolvendo uma fonte com informações sobre para as agências de inteligência do governo americano. Será que ele está certo? Em quem será se pode confiar?

Assim, a história em 22 Milhas é contada de duas formas, uma com o personagem de Wahlberg em um tipo de entrevista para o governo, onde ele conta sua versão dos fatos e a outra, claro, com o a situação que envolve Li Noor, personagem do ator Iko Uwais (um dos destaques devido aos seus bons movimentos de luta e cenas de ação) e o transporte desse informante que diz ter informações importantes para o governo americano.

A história ganha um fôlego, quando o comboio onde Noor está é atacado e vemos entrar em ação um grupo de operações especiais comandado por Silva. A atriz Lauren Cohen parece ficar completamente avulsa na história por conta do arco de sua personagem Alice com sua filha e o ex-marido e serve apenas para uma dar uma cara mais humana para o grupo de elite liderado pelo personagem de Wahlberg.

Já a lutadora Roonda Rousey que tenta emplacar no cinema como outros colegas como John Cena e The Rock, entra em cena e sai do mesmo jeito e na mesma velocidade e nem John Malkovich consegue empolgar com seu personagem genérico de vilão de dramas policiais dos anos 80.

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Foto: Diamond Films

22 milhas tem o combo completo de produções do gênero como, por exemplo, pesadas cenas de ação, brutais passagens de lutas, agentes governamentais na procura de um espião que ninguém sabe quem é, reviravoltas sobre a identidade do mesmo e claro personagens secundários com o mínimo de personalidade possível para dar um pouco de conexão entre as tramas. Mas o filme passa, as coisas explodem para lá no final, descobrirmos que tudo estava tudo conectado de uma forma bem preguiçosa e mal executada.

O filme até acerta em ter uns cortes bruscos para dar um sentimento de dramaticidade para a história mas todos os pontos ganhos por 22 Milhas caem por Terra por conta das más escolhas do roteiro escrito por Lea Carpenter e Graham Roland que não se sustenta, é completamente previsível e subestima quem assiste ao conectar as pistas de uma forma completamente didática e apressada.

Um aviso, se mantenha 22 milhas (ou 35km) longe desse filme se não for seu gênero favorito no cinema.

Nota do Crítico:

22 Milhas chega nos cinemas nacionais com previsão de estreia para 20 de setembro.

 

Miguel Morales

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