15h17 – Trem Para Paris | Crítica

Algumas idéias ficam bem somente no papel ou na cabeça de quem as imaginou. E isso é a maior definição do que é 15h17 – Trem Para Paris (15:17 to Paris, 2018). Nem a direção de Clint Eastwood, consegue salvar o filme de ser um completo desastre, com cenas vergonhosas e um fiapo de roteiro que não se sustenta em nenhuma parte.

Com uma idéia até que interessante, o longa poderia ser considerado aceitável se não fosse claro a execução falha. Ao contar uma história real de três homens que precisam evitar um atentado terrorista durante uma viagem de trem pela Europa, a produção esbarra em diversos pequenos detalhes que vão crescendo e incomodando quem assiste fazendo a experiência ao assistir ao filme ser uma das mais desastrosas dos últimos tempos.

Foto: Warner Bros

A grande idéia de 15h17 – Trem Para Paris é, em vez de contratar atores para interpretar personagens, os produtores colocaram as próprias pessoas que sofreram o atentado para viverem elas mesmas. Então no elenco principal temos os três amigos, Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Spencer Stone, recriando as cenas do evento no trem que eles mesmos passaram e claro, o filme aproveita para contar um pouco da trajetória deles e de como eles foram levados para esse momento tão único em suas vidas, mesmo que com uma licença poética super grande.

O filme falha em criar um roteiro sem pé nem cabeça com situações completamente desconexas entre si para mostrar tudo isso para quem assiste. São momentos que a história tenta transmitir mensagens do tipo “eles foram para Paris por que durante uma viagem pela Europa todo mundo falava que Paris era ruim e eles tinham que comprovar se aquilo era verdade ou não”, “forças do destino forçaram a ida deles para a cidade” e até “karma” é envolvido numa discussão num restaurante, no melhor estilo auto-ajuda no programa da Oprah.

E aqui criticamos não o fato que o trio não sabe atuar, pois afinal eles não são atores reais, mas sim por todo o restante que não consegue casar isso com resto do longa deixando outras partes importantes como roteiro, edição de cenas e planos-sequências de lado também. Assim, a produção acaba não desenvolvendo nada para compensar o fato que os caras não são atores profissionais e sim pessoas comuns. Os rapazes até que são simpáticos principalmente Spencer Stone, e não são a razão principal para que o filme seja ruim, no final das contas ao nosso ver, 15h17 – Trem Para Paris é apenas uma história de grande viagem para a Europa que acabou dando errado.

Foto: Warner Bros

Toda a parte que conta sobre a infância dos rapazes e o nascimento da amizade deles é completamente desnecessária e realmente bem estranha mesmo que sirva para desenvolvimento dos personagens, ela chega a ser uma trama que a gente não consegue se conectar. E quando chegamos na parte do terrorismo em si vemos que as coisas acabaram sendo um pouco mais aceleradas do deveriam ser e passam numa velocidade muito rápida. E nem mesmo a cerimônia de condecoração dos rapazes junto com o Presidente Francês consegue salvar o desastre completo que acaba sendo a produção.

15h17 – Trem Para Paris erra também ao passar um sentimento de patriotismo exagerado e completamente fora da realidade da parte dos garotos americanos. Mesmo com uma atitude honrada dos três amigos em arriscarem a vida para salvar as pessoas no trem, o longa é um desperdício de uma ida ao cinema e não consegue fazer quem assiste se importar com a história contada da vida dos rapazes e só mostra pobremente a trajetória deles até um evento de maior proporção que poderia acontecer com qualquer ser humano num momento de crise. No final, 15h17 – Trem Para Paris é desapontador e esquecível.

Nota do Crítico:

15h17 – Trem Para Paris chega nos cinemas em 8 de março.

Miguel Morales

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